Magna Concursos
1044493 Ano: 2017
Disciplina: Português
Banca: PICSIS
Orgão: SLMANDIC

A cantora e compositora Adriana Calcanhoto organizou e publicou, este ano, uma coletânea de poemas escritos por autores brasileiros contemporâneos. Fazem parte do livro os dois textos seguintes:

TEXTO I

gênese II
no princípio era o verbo
uma vaga voz sem dono
vagando pela via láctea.

depois veio o sujeito
e junto com ele todos
os erros de concordância.
(Gregorio Duvivier)

TEXTO II

Entende o que estou dizendo?
Dar é feminino de dor.

O etimólogo
que persegue palavras
(dando proteína
para a filosofia)
dirá que não.

DAR É VERBO.
Verbo é masculino.

Entende o que estou dizendo?
É másculo dizer “no princípio
era o verbo”.
(Bianca Lafroy)

(CALCANHOTO, Adriana (org.). É agora como nunca – Antologia incompleta da poesia contemporânea brasileira. São Paulo: Companhia das Letras, 2017, p. 23 e 97.)

Considerando-se comparativamente aspectos formais e temáticos dos dois poemas, foram formuladas as seguintes afirmações:

I. De caráter metalinguístico, ambos os textos estruturam-se a partir de um procedimento comum que envolve observações de conteúdo gramatical ou material da língua, porém ampliadas por uma perspectiva filosofante, de cunho reflexivo.

II. Os dois textos expõem poeticamente procedimentos de pesquisa etimológica sobre a língua portuguesa: o texto I parte da precedência histórica da função morfológica sobre a sintática; o texto II investiga a origem e os processos de formação de palavras.

III. Tanto o texto I quanto o II fazem referência a regras de concordância, entretanto, o texto I se refere às relações entre sujeito e predicado, centrando-se na concordância verbal; já o texto II envolve o ajuste de gênero entre palavras de classes morfológicas diversas, portanto tematizando as normas de concordância nominal.

É correto o que se afirma apenas em

 

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