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2413661 Ano: 2011
Disciplina: Português
Banca: IF-RJ
Orgão: IF-RJ

Eu, etiqueta

Em minha calça está grudado um nome que não é meu de batismo ou de cartório um nome... estranho. Meu blusão traz lembrete de bebida que jamais pus na boca, nessa vida. Em minha camiseta, a marca de cigarro que não fumo, até hoje não fumei. Minhas meias falam de produtos que nunca experimentei mas são comunicados a meus pés. [...]

Meu isso, meu aquilo. Desde a cabeça ao bico dos sapatos, são mensagens, letras falantes, gritos visuais, ordens de uso, abuso, reincidências. [...]

E fazem de mim homem-anúncio itinerante, escravo da matéria anunciada. Estou, estou na moda. É duro andar na moda, ainda que a moda seja negar minha identidade, trocá-la por mil, açambarcando todas as marcas registradas, todos os logotipos do mercado. Com que inocência demito-me de ser eu que antes era e me sabia tão diverso de outros, tão mim-mesmo, ser pensante, sentinte e solidário com outros seres diversos e conscientes de sua humana, incrível condição. Agora sou anúncio, ora vulgar ora bizarro, em língua nacional ou em qualquer língua (qualquer, principalmente). [...]

Por me ostentar assim, tão orgulhoso de ser não eu, mas artigo industrial, peço que meu nome retifiquem. Já não me convém o título de homem. Meu nome novo é Coisa. Eu sou Coisa, coisamente.

ANDRADE, Carlos Drummond. Corpo. Rio de Janeiro: Record, 1984

O Texto chama a atenção para a identificação do homem com o produto, e não com a sua própria identidade, o que faz valer mais o produto do que aquele que o produz. Assim, aliena-se o homem em detrimento da etiqueta, que passa a ser a identidade da pessoa.

Nesse sentido, prevalece

 

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