Desconstruindo o significado de trabalho
Por Marcio Svartman
O contexto atual em que vivemos nos convida a repensar e desconstruir o significado do trabalho, alguns conceitos em que estamos imersos.
A própria palavra usada no título, “desconstruir”, vem desse modelo mecanicista que absorvemos com maestria desde a Revolução Industrial. Desconstruir é o oposto de construir, que significa reunir as diferentes partes de um edifício, de uma máquina, de um aparelho; dar forma.
A linguagem no ambiente de trabalho está repleta de palavras como: engrenar, construir times, consertar, etc. É incrível, mas essas palavras fazem sentido total para nós, mesmo falando de organismos vivos e orgânicos que somos. Sem contar os jargões que foram absorvidos como regras pré-estabelecidas, como esses: “Deus ajuda quem cedo madruga” e “Tempo é dinheiro”.
Essas duas expressões nos parecem óbvias, mas você já parou para se questionar sobre o significado delas? Façamos as perguntas: por que tempo é dinheiro e por que madrugar é um valor importante?
Esses conceitos refletem os pensamentos do modelo de trabalho mecanicista, pós Revolução Industrial, e mais presente em economias menos desenvolvidas. Eles fazem parte dos modelos mecânicos de trabalho: o tempo era diretamente proporcional ao volume de produção, ou seja, tinha que gerar produtividade. O tempo tem que ser usado para produzir!
O trabalhador tem uma tarefa específica para ser realizada: se em mais tempo ele trabalhar, mais vezes aquela atividade será realizada e mais receita gerada a partir daquela mão-de-obra. Esse é um modelo de significado de trabalho que só faz sentido em alguns contextos.
Se você pensar em um contexto em que é preciso cada vez mais exercer a criatividade e a inovação, essas expressões perdem o sentido.
Estar sempre no controle da vida.
Frases do tipo: “Precisamos controlar tudo e todos. Vamos fazer planilhas, monitorar, acompanhar e controlar todos os passos” são parte do modelo atual de trabalho.
Por outro lado, sair do controle tem outro significado para nós: é aceitar um estado constante de evolução, curando, aceitando e lidando com medos, traumas, memórias, crenças. Ou seja, assumindo que não temos o controle da vida.
Cada vez que eu consigo me movimentar do lugar onde estou, há um processo de cura e descontrole. Cada tensão, cada angústia, cada dor que a vida me traz é um convite da vida. Há um processo de libertação e de crescimento e de abrir mão do que é possível controlar hoje.
Do mesmo modo, o que dificulta entender essa visão é que muitas vezes achamos que ao nos desenvolvermos como ser e nos libertarmos, o processo é sempre bom, o tempo todo, e isso não é verdade: faz parte do processo aceitar os nós, aceitar as dificuldades e sofrer.
Logo, ao desconstruir o significado de trabalho, que possamos evoluir para uma forma de viver mais autêntica e de acordo com nossa espécie de seres: orgânicos, vivos e em constante transformação.
(Disponível em: https://exame.com/blog/gestao-fora-da-caixa/desconstruindo-o-significado-de-
trabalho/ – texto adaptado especialmente para esta prova).
Assinale a alternativa na qual o hífen esteja empregado INCORRETAMENTE.