Nesta cultura das aparências, do espetáculo e da visibilidade, já não parece haver motivos para mergulhar naquelas sondagens em busca dos sentidos abissais perdidos dentro de si mesmo. Em lugar disso, tendências exibicionistas e performáticas alimentam a procura de um efeito: o reconhecimento nos olhos alheios e, sobretudo, o cobiçado troféu de ser visto. Cada vez mais, é preciso aparecer para ser. Pois tudo aquilo que permanecer oculto, fora do campo da visibilidade – seja dentro de si, trancado no lar ou no interior do quarto próprio – corre o risco de não ser interceptado por olho algum. E, de acordo com as premissas básicas da sociedade do espetáculo e da moral da visibilidade, se ninguém vê alguma coisa é bem provável que esta coisa não exista. Como bem descobrira Guy Debord há quatro décadas, o espetáculo se apresenta como uma enorme positividade indiscutível, pois seus meios são ao mesmo tempo seus fins e sua justificativa é tautológica: “O que aparece é bom, e o que é bom aparece.” Nesse monopólio da aparência, tudo o que ficar do lado de fora simplesmente não é.
SIBILIA, Paula. Eu visível e o eclipse da interioridade. In: O show do eu:
a intimidade como espetáculo. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2008, p. 89-113.
.Leia as afirmações desenvolvidas sobre a seguinte construção sintática: “Cada vez mais, é preciso aparecer para ser.” (l. 4 e 5).
I. O período é composto por subordinação, formado por um adjunto adnominal anteposto à oração principal, a qual, por sua vez, é seguida por duas orações reduzidas: uma é objetiva direta, e outra, adverbial final.
II. O período é misto, pois possui uma oração principal antecedida por um adjunto adverbial exercendo função de oração coordenada. Após a oração principal, tem-se uma subordinada substantiva subjetiva formada por uma locução verbal.
III. A expressão “Cada vez mais” exerce a função sintática de adjunto adverbial, pois intensifica uma ideia explícita no período. Morfologicamente, é um locução adverbial, formada pelo seguinte conjunto de palavras: cada (numeral), vez (substantivo) e mais (advérbio).
IV. O período é composto por subordinação, formado por um adjunto adverbial anteposto a uma oração principal. Após essa oração, tem-se uma subordinada substantiva subjetiva reduzida de infinitivo e uma oração adverbial final.
V. O período pode ser reescrito, sem promover alterações em seu sentido original, para assumir a seguinte forma: “Para ser, é preciso que se apareça.” Essa forma antecipa a oração final e desenvolve a subjetiva.
Considerando as regras prescritas na gramática normativa, estão CORRETAS?