O texto a seguir se refere às questões de 12 a 15.
Jovem sofre com padrões irreais de beleza
Rosely Sayão
Ouvi, de passagem, uma conversa entre duas garotas de mais ou menos 15, 16 anos. Os comentários eram sobre a aparência do corpo delas. Se alguém tivesse a chance de ouvir essa mesma conversa sem ver as garotas, teria todos os motivos do mundo para imaginar duas mulheres maduras enfrentando as mudanças do corpo que chegam, queiram ou não, com o avançar da idade. Era um tal de celulite para cá, gordura localizada para lá, pele branca para todos os lados, cabelos sem vida e pelos encravados, flacidez e estrias que dava dó. Sonhavam com uma intervenção cirúrgica, vejam só, e com tratamentos milagrosos. E saber que eram duas bonitinhas que só vendo, tecendo comentários tão destruidores sobre a própria imagem!
É na adolescência que a imagem corporal adulta é construída: perde-se o corpo infantil e, pouco a pouco, entra em cena a imagem do corpo atual. Não é sem sobressaltos e receios que essa fase acontece, tudo motivado pelas próprias mudanças do corpo que são ora aceleradas demais, ora lentas para as expectativas criadas. Nessa fase, o espelho é adorado e temido, e o olhar do outro é um julgamento que tem o dom de fazer o adolescente aceitar ou rejeitar a nova aparência. Em meio a tanta turbulência, ainda tem a imagem do corpo ideal oferecida pela sociedade. Terrorismo puro!
A moçada hoje está totalmente submetida a uma imagem de corpo que é inatingível para a maioria dos brasileiros e das brasileiras. Biótipo, características hereditárias ou pessoais, potencial orgânico de cada um? Nada disso é considerado, já que o almejado é um corpo que é exposto depois de ser esculpido sabe-se lá a que custo.
Ainda por cima, é preciso enfrentar as contradições que o mercado de consumo impõe. "Tem de malhar, tem de estar em forma, tem de ter boa alimentação", dizem os anúncios, as reportagens, os especialistas. Ao mesmo tempo, os programas culinários se multiplicam, as redes de comidas rápidas e gordurosas também, tanto quanto as delícias doces e apetitosas. Como resistir? Se é difícil para o adulto que, com maior ou menor custo, consegue estabelecer uma rotina de vida, que dirá para o adolescente?
Não ensinamos os nossos jovens a lidar com as diferenças físicas. Não colaboramos com a construção sadia da imagem corporal adulta. Ao contrário: alimentamos a vaidade desmedida e irreal. Estamos nós, os adultos, submetidos também à mesma pressão. O que resta aos jovens que não conseguem alcançar a meta imposta por pura impossibilidade?
Resta abandonar o corpo à própria sorte. Aí, sim, surgem os verdadeiros problemas. De um lado, o excesso de peso entre adolescentes cresce cada dia um pouco mais, como também aumenta a constatação de altos níveis de colesterol em pessoas tão novas; de outro, multiplicam-se casos de jovens, principalmente do sexo feminino, que simplesmente trocam as refeições necessárias por dietas radicais para emagrecer. Algumas, infelizmente, chegam ao extremo e passam à anorexia. Não é lamentável?
Temos outras alternativas a oferecer. Em vez de aceitar e acatar um modelo único de corpo, podemos apontar a diversidade do físico do nosso povo. Podemos também ensinar os cuidados com a saúde; afinal, beleza é uma questão de saúde. E podemos, principalmente, ajudar nosso jovem a ser mais crítico em relação ao que vê e ao que ouve.
Precisamos lembrá-lo de que o modelo de corpo exposto atualmente é fruto de muito dinheiro e tempo gastos com essa única finalidade. É bom também alertar sobre os truques tecnológicos que permitem uma aparência irreal e ilusória. E, principalmente, devemos ensinar que dar importância à aparência do corpo é um valor que se pode escolher, que depende de cada um.
(Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/equilibrio/eq2401200207.htm)
A temática discutida no texto gira em torno, principalmente: