Durante uma assembleia escolar para revisão do Projeto Político-Pedagógico (PPP) de um colégio que oferece Ensino Médio na
modalidade Educação de Jovens e Adultos (EJA), surge um intenso debate entre gestores, professores e estudantes. A professora de
Sociologia, apoiando-se nas reflexões de Paulo Freire sobre educação democrática, propõe que os estudantes adultos participem
ativamente da construção do documento, argumentando que o PPP deve refletir uma “pedagogia da autonomia” que reconheça
os saberes dos educandos. O diretor questiona a capacidade dos estudantes trabalhadores noturnos de compreenderem questões
pedagógicas complexas. A coordenadora pedagógica, influenciada pelas ideias de Vera Maria Ferrão Candau sobre educação
intercultural, defende que a diversidade de experiências dos estudantes adultos constitui um patrimônio fundamental para
repensar as práticas educativas. Um grupo de estudantes propõe criar uma comissão para mapear os principais problemas da
escola e as formas de participação existentes na comunidade escolar. Contudo, emerge uma tensão: enquanto alguns defendem
processos mais participativos de tomada de decisão, outros questionam se, no contexto atual de descrédito generalizado nas
instituições, seria possível construir um projeto verdadeiramente democrático. Um estudante comenta: “Se nem confiamos
mais nos políticos, por que acreditaríamos que o colégio vai ser mudado?”. Esse cenário reflete os desafios contemporâneos
apontados por Norberto Bobbio sobre as promessas não cumpridas da democracia, evidenciando como a crise de legitimidade
das instituições afeta também o espaço escolar.
Tendo em vista o questionamento do estudante sobre a confiança nas instituições, o conjunto de instrumentos avaliativos
adequado para verificar se os estudantes desenvolveram compreensão crítica sobre os elementos que configuram a crise de
legitimidade das instituições democráticas contemporâneas é: