Lembrei-me de uma entrevista que tive com uma jornalista.
“Qual o seu sonho de consumo?”, ela perguntou.
“Acreditar em Deus”, eu disse.
“Isto mudaria alguma coisa?”
“Talvez mudasse o meu estilo. Minha linguagem é assindética, cheia de elipses de conjunção. A fé tornaria meu estilo hiperbólico, polissindético.” Etc. Na época, pensei que estava brincando. (...)
Meu sonho de consumo, eu sabia agora, era a liberdade.
O ser humano se caracteriza, na verdade, por uma estupidez.
Ele só descobre que um bem é fundamental quando deixa de possuí-lo. Preso naquele porão, eu descobria que a liberdade mais importante que existia era a liberdade de ir e vir, a liberdade de movimento. Eu tinha todas as outras liberdades, preso no porão — de pensar, de xingar meus captores, de ter uma religião (caso quisesse uma), de escolher minhas convicções políticas. Tinha liberdade de sonhar. Contudo, de que me adiantava isso, se estava preso dentro de um porão?
Rubem Fonseca. Vastas
emoções e pensamentos imperfeitos. São Paulo: Schwarcz, 2003, p. 227 (com adaptações).
Considerando o texto anterior, julgue o item que se segue quanto aos seus aspectos gramaticais.
A correção gramatical do texto seria mantida se fosse inserida uma vírgula após o termo “entrevista”