Magna Concursos
1219381 Ano: 2013
Disciplina: Português
Banca: FAUEL
Orgão: Câm. Astorga-PR
Provas:
BOM TRABALHADOR
José J. Veiga
Aquele rapaz que apareceu no sítio pedindo trabalho, o Belmiro, não teve estudo nenhum, e sabia explicar tudo com clareza.
Belmiro sabia explicar tudo, não de uma vez, como quem fala de cor, mas devagar, ponderado, puxando a razão das coisas, ajudando a gente a compreender.
O pai de Tubi antipatizou com Belmiro por ele andar de botina o dia inteiro, como se estivesse sempre de saída para uma festa, mas reconhecia que ele era bom no cabo da enxada .
– Seu Jucá, não olhe para a minha cara nem para as minhas botinas. Olhe para o meu trabalho – disse Belmiro logo no primeiro dia.
Seu Jucá entendeu, mas de vez em quando ainda chamava Belmiro de filósofo, chamava zombando, mas quando Belmiro foi embora, bem que Seu Jucá sentiu. Ele disse à mulher que, se tivesse dois ou três homens como Belmiro, podia dispensar os outros todos e ainda tocava o sítio com os pés nas costas. A mulher defendeu, disse que Belmiro era muito trabalhador, ninguém dizia o contrário, mas se o serviço dos outros não rendia era porque eles não tinham boa compreensão das coisas.
– É porque são tapados, Zilza.
– Tapados não, Jucá. São gente nascida e criada aqui, como nós.
– Que nada, Você está é querendo me contrariar.
Belmiro também pensava como D. Zilda, por isso não se enfezava com as caçoadas dos outros. Uma vez Tubi perguntou por que ele não reagia quando os outros caçoavam da botina dele; Belmiro respondeu:
– Deixe eles, coitados! Eles pensam que botina é só para patrão, ou para enfeitar os pés em dia de festa. Não sabem que é para proteger.
– Por que o senhor não ensina?
Belmiro estava aparelhando um cabo de foice, parou e disse:
– Se eles aprendessem, onde é que iam arranjar dinheiro para comprar botina? Um par de seis em seis meses? Eu trabalho por empreitada, acabo um serviço, recebo, compro o que preciso.
– Meu pai dava. Meu pai não é o patrão deles?
– Então era preciso ensinar sei pai também, Uma coisa puxa outra.
– O senhor ensinava.
– Eu ensinava? Deus te conserve, Tubi! – disse Belmiro, e voltou a trabalhar com o facão na madeira roliça, tidando os nós e raspando.
(A Máquina Extraviada, págs. 93-95, Editora Civilização Brasileira, Rio, 1974)
D. Zilza achava que o serviço dos outros trabalhadores não rendia porque:
 

Provas

Questão presente nas seguintes provas

Zelador

40 Questões