A Saúde Única é definida como uma abordagem
integrada e unificadora que visa equilibrar e otimizar, de
forma sustentável, a saúde de pessoas, animais e
ecossistemas. Nesse sentido, a saúde dos seres humanos,
animais domésticos e selvagens, plantas e do ambiente mais
amplo, incluindo os ecossistemas, está estreitamente ligada
e é interdependente.
Essa abordagem vai além de um modelo teórico, de
estratégias, ela deve ser encarada como uma prática cada
vez mais necessária para enfrentar os desafios do presente e
do futuro, mas também permitindo uma compreensão
melhor das intercorrências do passado. É um convite a uma
mudança de pensamento, abandonando a visão
antropocêntrica dominante (focada apenas no humano) para
adotar uma perspectiva ecocêntrica (que reconhece a
importância de todas as formas de vida), que se alinha com a
teoria do Holobionte, a qual considera seres humanos,
animais, plantas e seus microrganismos associados como
unidades evolutivas interdependentes.
Nesse contexto, o planeta seria uma unidade maior,
onde todos os elementos interagem e se relacionam para a
manutenção de todas as formas de vida. Essa visão não é
exclusiva da modernidade – tem raízes históricas profundas
em civilizações antigas como as gregas, indianas e chinesas.
Diferentes povos desenvolveram conceitos holísticos
semelhantes, destacando a interdependência entre ambiente
e seres vivos. Entre os povos originários brasileiros
predomina uma visão integrada do mundo físico e espiritual,
em que a saúde é parte de um sistema complexo, e a Terra (e
seus territórios) é reconhecida como uma entidade viva e
sagrada, em conexão inseparável com todos os seres.