A CASA DO ESTUDANTE DE PERNAMBUCO (*)
Em 18 de junho de 2009
Em 1930, o Recife era um centro universitário da maior importância, com as faculdades de direito, medicina, engenharia, farmácia e odontologia funcionando. Para aqui afluía grande número de jovens, do Norte e Nordeste do Brasil, atraídos pela fama de suas escolas superiores. Polo irradiador de cultura, desde os tempos coloniais, mantinha e reafirmava sua tradição. A população de estudantes aumentava. E muitos, destituídos de recursos, apostavam toda a sorte de sacrifícios e privações para conseguir a láurea universitária. Alguns ficavam pelo caminho. Desistiam à míngua de recursos. Ou se finavam nas águas-furtadas e nas “repúblicas” trepadas em sobrados insalubres.
Foi quando a Jazz Banda Acadêmica, formada, fazia pouco tempo, por estudantes das nossas escolas superiores, juntou-se a este, despreendidamente, no intuito de trabalhar com eficiência pela ideia, que, então, já era o ideal de uma mocidade. Organizaram-se festivais, bailes; distribuíram-se listas de subscrição; realizaram-se excursões ao interior do Estado.
A pedra inicial do futuro abrigo do estudante pobre foi lançada no dia 24 de outubro de 1932, no Derby, onde estão localizados os dois lotes de terreno, cedidos para o generoso fim, pelo governo revolucionário do Estado.
O arquiteto Jaime Oliveira, autor do projeto, declarou: “A ideia está plenamente vitoriosa. Devo dizer que, para isso, muito contribuíram a boa vontade e o patriotismo do Governador Lima Cavalcanti. À mulher pernambucana deve-se também grande parte das vitórias que os promotores da generosa ideia obtiveram”.
Com a adesão da Jazz Banda Acadêmica, a campanha para a construção da Casa do Estudante tomou novo alento. A sua estreia no Sarau Verde, que a mocidade da Faculdade de Medicina ofereceu à sociedade pernambucana, foi um trunfo indiscutível e confortador. Tudo ficou mais fácil. Bailes no Recife para angariar fundos e excursões ao interior do estado possuíam agora uma atração irresistível.
A construção da Casa do Estudante não teria logrado o êxito alcançado sem a participação de Lourenço da Fonseca Barbosa – Capiba e a Jazz Banda Acadêmica. Para culminar e concluir a última fase da construção da CEP, surge a figura extraordinária de Gaspar Regueira Costa. Contorna dificuldades, está acima dos acontecimentos. Leva a bom termo a empreitada. Antecipa o sonho e inaugura a Casa do Estudante do Derby.
Trecho extraído do Livro As Vinhas Esperança – Memórias de Um Xepeiro. De autoria de Valdênio Porto,
caruaruense, conceituado médico do Recife e atual presidente da Academia Pernambucana de Letras. Disponível no Blog do
Abelhudo.
Observe os itens abaixo e suas afirmações.
I. “Para aqui afluía grande número de jovens ...” – estaria correta também a construção “Para aqui afluíam grande número de jovens ”. Neste caso, o verbo estaria concordando o termo jovens.
II. “Devo dizer que, para isso, muito contribuíram a boa vontade e o patriotismo do Governador Lima Cavalcanti.” – estaria correto também o trecho: Devo dizer que, para isso, muito contribuiu a boa vontade e o patriotismo do Governador Lima Cavalcanti. Neste caso, o verbo posposto ao sujeito concorda com o sujeito mais próximo.
III. “Para aqui afluía grande número de jovens, do Norte e Nordeste do Brasil, atraídos pela fama de suas escolas superiores.” – se o termo jovens estivesse se referindo, apenas, a mulheres, o termo sublinhado não sofreria qualquer alteração.
IV. “Organizaram-se festivais, bailes; distribuíram-se listas de subscrição; realizaram-se excursões ao interior do Estado.” – se os termos sublinhados estivessem no singular, o trecho estaria correto dessa forma: Organizou-se festival, baile; distribuiu-se lista de subscrição; realizou-se excursão ao interior do Estado.
Somente estão CORRETAS as afirmações dos itens