- Psicologia Social e ComunitáriaMovimentos Sociais e de Massa
- Psicologia Social e ComunitáriaRepresentações Sociais, Atitudes, Comportamento, Estereótipos e Preconceitos
Seis senegaleses me cercam; todos são altos e jovens,
e estão agitados. Estamos no Centro de Convenções e Lazer
Chácara Aliança, espaço alugado em Rio Branco pelo governo
estadual do Acre para funcionar como abrigo improvisado dos
imigrantes que não param de chegar. A estimativa é de que, de
dezembro de 2010, quando um grupo de cerca de 10 haitianos
chegou e se instalou em uma praça no centro da cidade, até
dezembro de 2014, já passaram pelo Acre mais de 40 mil
pessoas, um fluxo crescente formado principalmente por
haitianos (39 mil entraram no país de 2010 até setembro de
2014, segundo a Polícia Federal) e senegaleses interessados
em seguir para o Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Dos senegaleses
que me cercam, apenas um fala português. Mal, mas fala.
Serve como intérprete. Todos aguardam a emissão de
documentos, condição para poder seguir viagem. Rio Branco
é apenas lugar de passagem. [...] Enquanto os documentos não
ficam prontos, os estrangeiros tentam aprender mais sobre o
que os aguarda. Como a maioria dos que chegam pelo Acre,
todos eles pediram refúgio para entrar no País. Um deles
mostra um papel e quer saber minha opinião. “Cazzias do Sul?
Cazzias? Indústria? Emprego?” Demoro a entender. Caxias do
Sul (RS). Sim, tem indústria em Caxias do Sul. Mal começo a
responder, outro exibe mais um papel. “Anápolis. Indústria?
Porto Alegre? Santa ‘Katrina’?”
Disponível em: < http: imigrantes.webflow.io="" >.
Acesso em: 10 out. 2018, com adaptações.
O fenômeno da imigração, tal como vivido pelos senegaleses do fragmento de texto, pode ser compreendido como um fenômeno transcultural. Fenômenos dessa natureza caracterizam-se pela manutenção cristalizada dos elementos culturais de origem. Ou seja, dificilmente os senegaleses apreenderão a cultura brasileira, necessitando, para tanto, de auxílio psicológico.