Tais eram as reflexões que eu vinha fazendo, por aquele Valongo afora, logo depois de ver e ajustar a casa. Interrompeu-mas um ajuntamento; era um preto que vergalhava outro na praça. O outro não se atrevia a fugir.
[...].
Parei, olhei... Justos céus! Quem havia de ser o do vergalho? Nada menos que o meu moleque Prudêncio – o que meu pai libertara alguns anos antes. Cheguei-me; ele deteve-se logo e pediu-me a benção; perguntei-lhe se aquele preto era escravo dele.
– É sim, nhonhô.
– Fez-te alguma coisa?
– É um vadio e um bêbado muito grande. Ainda hoje deixei ele na quitanda, enquanto eu ia lá embaixo na cidade, e ele deixou a quitanda para ir na venda beber.
– Está bom, perdoa-lhe – disse eu.
– Pois não, Nhonhô. Nhonhô manda, não pede. Entra para casa, bêbado!
ASSIS, Machado de. O vergalho. In: Memórias póstumas de Brás Cubas. São Paulo: Scipione, 1994. p. 79-80.
Verifica-se, no excerto apresentado, a ocorrência das seguintes variações linguísticas: