Magna Concursos
2915303 Ano: 2022
Disciplina: Português
Banca: FUNDATEC
Orgão: Pref. Foz Iguaçu-PR

Instrução: As questões de números 01 a 05 referem-se ao texto abaixo.

Estrangeirismo: se facilita a comunicação, tá valendo.

Por Alexandre Carvalho

01 Você já reparou que algumas palavras estrangeiras que usamos não têm equivalente no

02 Brasil? É natural também que invenções de outros países cheguem aqui com o nome que lhes

03 deram em sua terra natal. Pense na pizza. Mas pense também em tecnologia. Se a palavra

04 estrangeira vem a bordo de uma inovação tecnológica, a probabilidade de permanecer é

05 relevante. Quando falamos num “farol de LED” do carro, LED é a sigla inglesa para light-emitting

06 diode. É muito mais fácil usar o termo que já veio com a tecnologia do que dizer que nosso carro

07 tem um farol que funciona com “diodo emissor de luz”.

08 Antes que recursos sofisticados de segurança fossem obrigatórios nos carros brasileiros,

09 como o anti-lock braking system (freio ABS), já falávamos inglês para usar nosso computador

10 pessoal. Tente arrumar um equivalente para mouse (o acessório de informática, não o roedor).

11 O dicionário Houaiss sabe dizer o que é: em versão resumida, um dispositivo dotado de um a

12 três botões que, ao ser movimentado, provoca o deslocamento análogo de um cursor na tela de

13 um computador.

14 Poxa, para que arrumar um termo que condense tanta informação se os americanos já

15 criaram, com uma palavrinha só, um apelido simpático para o gadget? E os mais antigos, com

16 fio, pareciam ratinhos mesmo. Portugal resolveu a questão de um modo simples, sem inventar

17 um termo próprio: traduziu literalmente o apelido inglês. Os portugueses mexem seus cursores

18 usando um “rato”.

19 O estrangeirismo, de qualquer maneira, é sempre bem-vindo quando facilita a

20 comunicação. Outro exemplo bem atual é o anglicismo “testei positivo para Covid”. Se

21 seguíssemos a norma culta nesse aviso infeliz aos familiares, o certo mesmo seria dizer “me

22 submeti a um exame de Covid e o resultado foi positivo” (praticamente o dobro de palavras).

23 Para que complicar?

24 Aliás, falando em Coronavírus, não há brasileiro vivo que ignore o sentido de trabalhar

25 em home office. Cá entre nós, uma tradução para o português geraria dubiedade. Um “escritório

26 em casa” soa como algo bem estabelecido, definitivo até, como o consultório de Sigmund Freud,

27 que ficava na residência dele. Já “home office” a gente entende como uma alternativa ao trabalho

28 presencial numa empresa ou num cliente, que pode ser um arranjo provisório ou não. Na forma

29 como o termo está, em inglês, ele é a definição perfeita desse arranjo mal ou bem-sucedido

30 (tente fazer com duas crianças pequenas correndo pelos cômodos).

31 Os exageros no estrangeirismo tendem a passar, como as paletas mexicanas. Mas o uso

32 que facilita a comunicação vai vingar sempre. E a Língua Portuguesa no Brasil – que os

33 portugueses chamam pejorativamente de “brasileiro” – vai continuar se enriquecendo com

34 palavras e expressões que não teriam como surgir por aqui.

(Disponível em: https://super.abril.com.br/sociedade/o-bem-e-o-mal-do-estrangeirismo – texto adaptado especialmente para esta prova).

Assinale a alternativa que indica quantas outras alterações seriam obrigatoriamente necessárias para a manutenção da correta relação de concordância entre os termos caso substituíssemos a palavra “estrangeirismo” por sua forma plural no trecho a seguir: “O estrangeirismo, de qualquer maneira, é sempre bem-vindo quando facilita a comunicação”.

 

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