… E Graham Bell virou outra coisa
É possível que você esteja lendo esta reportagem em
um smartphone. E, se não for esse o caso, é provável que
ele se encontre ao alcance de sua mão. Nada a estranhar:
quem se separa desses aparelhos hoje em dia? Nem à noite:
é para o celular que um número cada vez mais espantoso
de pessoas – já são 5,4 bilhões de linhas no planeta – dirige
sua atenção antes de dormir; e é também para ele que elas
olham primeiro quando acordam. Aliás, existem aplicativos
que ajudam a pegar no sono e outros que despertam qualquer um – como o alarme que só pode ser desabilitado se o
dono der alguns passos.
Não há notícia de nenhum gadget que tenha se tornado
tão onipresente (e onipotente). É um recorde de popularidade. Com o aparelho que quase todo mundo carrega consigo,
é possível realizar uma série de atividades que antes exigiriam tempo, deslocamento e dinheiro. “De vez em quando
aparece um produto revolucionário que muda tudo”, disse
Steve Jobs no lançamento do iPhone, em 9 de janeiro de
2007 – data que pode ser considerada um desses extraordinários “de vez em quando”. Na apresentação, ele enfatizou que estava “revolucionando o telefone” (embora já existissem smartphones, como os da Black Berry). Isso porque
num mesmo dispositivo seria possível ouvir músicas, usar a
internet e “até” fazer uma ligação. Sim, definitivamente “telefonar” passava a ser apenas “mais uma” função do telefone.
A era dos smartphones trouxe consigo uma preocupação:
o risco da dependência. Uma pesquisa realizada pela Universidade da Coreia, em Seul, revelou que a nomofobia – esse
é o termo empregado para se referir ao problema – pode ser
caracterizada como vício. E por um motivo simples: o uso
excessivo do celular produz alterações químicas no cérebro
que levam a reações que, em muitos aspectos, se assemelham às que acometem os dependentes de drogas. Assim,
a sugestão quanto ao smartphone é incontornável: use com
moderação. Você pode, por exemplo, dormir sem ele.
(Mariana Amaro. Veja, 18.07.2018. Adaptado)
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