O socorro
1 Ele foi cavando, cavando, pois a sua profissão —
coveiro — era cavar. Mas, de repente, na distração do ofício
que amava, percebeu que cavara demais. Tentou sair da cova
4 e não conseguiu. Levantou o olhar para cima e viu que,
sozinho, não conseguiria sair. Gritou. Ninguém atendeu.
Gritou mais forte. Ninguém veio. Enrouqueceu de gritar,
7 cansou de esbravejar, desistiu com a noite. Sentou-se no
fundo da cova, desesperado. A noite chegou, subiu, fez-se o
silêncio das horas tardias. Bateu o frio da madrugada e, na
10 noite escura, não se ouvia um som humano, embora o
cemitério estivesse cheio dos pipilos e coaxares naturais dos
matos.
Millôr Fernandes. Apud: Miriam Gold. Redação empresarial, São Paulo: Makron, 1999, p. 37 (com adaptações).
Quanto às relações morfossintáticas, semânticas e discursivas do texto I, julgue os itens abaixo.
A expressão "Bateu o frio da madrugada" (L.9) pode ser substituída, no texto, sem alteração de sentido, por: Ventou muito na madrugada.