TEXTO I
Comportamento Anti-Social: a Agressão
Deixando de lado preocupações estritamente numéricas, poderíamos iniciar nossa abordagem da agressão de forma bastante trivial. Se quiséssemos, por exemplo, eleger um assunto que ocupasse, atualmente, um lugar especial nas conversas cotidianas entre as pessoas, em casa, entre amigos, nos espaços públicos ou no trabalho, poderíamos apontar, sem medo de errar, a agressão e a violência humanas. Chega mesmo a ser surpreendente a “disputa” entre os interlocutores para ver quem mais acumula experiências pessoais, como vítimas ou espectadores, de assaltos, sequestros, ofensas, brigas, atos de vandalismo, crimes e assim por diante. Os casos se sucedem quase sempre acompanhados por uma descrição minuciosa da extraordinária capacidade do homem em causar danos e maus-tratos em seus semelhantes, de forma gratuita, deliberada ou vingativa, e com requintes de crueldade, frieza ou destempero. Quantos de nós não se sentem atraídos por essas histórias e avidamente interessados em ver de perto esses incidentes? Fala-se até que as próprias crianças, hoje em dia, não mais demonstram qualquer perplexidade como testemunhas de cenas reais ou de ficção, que exibem atrocidades sem limites. E, pior ainda, são elas, muitas vezes, os próprios protagonistas dessas cenas de violência.
Se ampliássemos nossa curiosidade e quiséssemos saber que tópico mais absorve as manchetes de jornais e revistas, os programas de televisão, os filmes e livros de sucesso, teríamos seguramente a mesma resposta. O mundo moderno e globalizado nos permite afirmar que se trata, lamentavelmente, de uma tendência quase universal, as exceções ficando por conta de comunidades restritas e isoladas do alcance da tecnologia e do progresso.
Vivemos, então, numa era de violência e agressão ímpares na história da humanidade? Certamente, a violência não é um fenômeno recente, já que ela se faz presente na história da humanidade, em todas as épocas e em todos os lugares. E seriam esses fenômenos irreversíveis em sua marcha, mesmo diante do altíssimo nível de desenvolvimento jamais alcançado pelo homem? Seria desnecessário dizer, mas nem todo progresso é para melhor nem todos os seus benefícios revertem em prol do ser humano. Algumas investidas que se fazem contra o próprio homem, “em nome desse progresso”, nos levam a descrer, em certos momentos, da capacidade humana em discernir entre atos “inteligentes” e atos “primitivos”.
A exacerbada “espetacularização” do fenômeno da agressão na mídia em geral e a iminência de sua “naturalização” – denunciam os estudiosos dessa problemática – obscurecem as perspectivas de convívio social satisfatório pela incontrolabilidade de sua ocorrência e de seus efeitos nefastos e destrutivos. Filósofos, juristas, cientistas políticos, sociólogos e psicólogos debruçam-se, já há algum tempo, sobre o estudo do comportamento agressivo na tentativa de decifrá-lo e, assim, impedir sua progressão e suas consequências. No entanto, a despeito do avanço do conhecimento em tantos setores, com pouco ainda se pode contar, nessa área específica, que possa ser aplicado com sucesso para deter o ritmo vertiginoso da escalada da violência.
(Aroldo Rodrigues e outros. Psicologia Social. P. 204-5)
A passagem “na tentativa de decifrá-lo e, assim, impedir sua progressão e suas consequências”, revela circunstâncias de: