Sobre a psicanálise e saúde mental, leia o texto a seguir:
O homem, quando é tomado por uma doença mental, não se transforma por isso em um animal pavloviano. Ao contrário: se ele adoece, é exatamente porque o homem não pode ser domesticado. Logo, uma reabilitação que renuncie ao tratamento no nível da comunicação e dos seus sintomas, será uma reabilitação impotente no nível da doença. A questão, pois, continua a ser colocada. Sobre quais estruturas podemos começar a agir no real do mal-estar psíquico? A propósito disso, Lacan recolheu um ensinamento subversivo, que vem de Clérambault, e que é capaz de explicar o fracasso do tratamento sintomático da psicose. Ele começou a fazer perguntas ao paciente e a desenvolver o tratamento diante dele e fazer clínica. Mas, perguntava para que o paciente pudesse se explicar. A partir desse método, ele pôde revelar que os sintomas não são outra coisa que os diferentes modos de adaptar-se a um rompimento com a realidade; de compensar o desencadeamento efetivo da psicose que, em idade, era muito anterior e havia passado despercebido tanto à família quanto aos médicos. E Clérambault dizia que era preciso reverter o edifício da psiquiatria, que era preciso recolocar o sintoma sobre a base do automatismo mental, ou seja, nesse efeito de rompimento da realidade. O fenômeno elementar é, de fato, a verdadeira doença. Os sintomas, estes se formam de modo gradual dependendo do sujeito, de sua cultura, seu gosto, suas circunstâncias; de acordo com cada sujeito.
(Curinga, dezembro de 2010)
A partir do texto anterior, analise as afirmativas a seguir sobre os sintomas na perspectiva psicanalítica.
I. Freud insistia em dizer que o sintoma é sempre sobredeterminado, na medida em que está sempre diretamente ligado à ação do processo primário, sobretudo a condensação.
II. Enquanto formação do inconsciente, o sintoma se constitui, com efeito, por sucessivas estratificações significantes. Nessa estratificação, a “seleção” dos significantes não obedece a qualquer princípio de escolha estável.
III. As correlações que existem entre um sintoma e a identificação diagnóstica supõem a entrada em cena de uma cadeia de procedimentos intrapsíquicos e intersubjetivos, que dependem da dinâmica do inconsciente.
Está correto o que se afirma em