O texto abaixo serve de base para a questão.
PARADOXOS
Eduardo Galeano (Folha de S. Paulo, 12/08/2005 - adaptado)
A metade dos brasileiros é pobre ou muito pobre, porém o país de Lula é o segundo mercado mundial das canetas Montblanc, o nono comprador de carros Ferrari e as lojas Armani de São Paulo vendem mais que as de Nova York. O Banco Mundial elogia a privatização da saúde pública em Zâmbia: "É um modelo para a África. Já não há filas nos hospitais". As pessoas morrem em casa. Há quatro anos, o jornalista Richard Swift chegou aos campos do oeste de Gana, onde se produz cacau barato para a Suíça. Na mochila, o jornalista levava umas barras de chocolate. Os plantadores de cacau nunca haviam provado o chocolate. Ficaram encantados.
No mundo, há tantos famintos quanto gordos. Os famintos comem lixo nas lixeiras; os gordos comem lixo no McDonald's. A tecnologia produz melancias quadradas, frangos sem penas e mão de-obra sem carne nem osso: é que os robôs substituem pessoas. A cruz suástica, com que os nazistas identificaram a guerra e a morte, havia sido um símbolo de vida na Mesopotâmia, na Índia e na América. Quando George W. Bush propôs derrubar os bosques para acabar com os incêndios florestais, não foi compreendido. Ele estava sendo apenas um pouco mais incoerente do que de costume. Seus santos remédios são: para acabar com a dor de cabeça, há que decapitar o sofredor; para salvar o povo do Iraque, vamos bombardeá-lo até fazer dele um purê. O mundo é um grande paradoxo que gira no universo. Nesse passo, daqui a pouco, os proprietários do planeta proibirão a fome e a sede, para que não faltem o pão nem a água.
Pela proposta do texto, no trecho “O Banco Mundial elogia a privatização da saúde pública em Zâmbia: ‘É um modelo para a África. Já não há filas nos hospitais’. As pessoas morrem em casa”, nota-se principalmente: