“Todo dia, ou toda hora, pipoca mais um escândalo e pinta mais uma ladroeira. Não adianta bancar o avestruz e enfiar a cabeça na areia. Sendo de todas as aves a maior, o avestruz não vê, mas é visível. No nosso caso, dá vontade de não ver e de não ser visto. Com a altíssima taxa de corruptos que assola o país, a Câmara dos Deputados podia inverter o objetivo de sua comissão de inquérito: ouvir os suspeitos de honradez. Não haveria assim perigo de tumulto, nem seriam legião os inquiridos. Calma, gente! Nada de pôr a culpa na imprensa e acusá-la de só ver o negativo. Tem muita gente proba por aí. Aposto de olhos fechados e mão na Bíblia que é a maioria. O Rio e São Paulo não são Sodoma e Gomorra. E se você é dos que acham que jornal só vê o negativo, quero lhe perguntar se costuma ir ao médico com uma saúde de vaca premiada. Com 32 dentes sem cárie, você procura o dentista? Você sai de casa todo dia para o trabalho. Se amanhã quebrar a perna no trajeto, conta para a sua mulher ou cala? O Titanic só foi manchete quando afundou, sabia? Então tá. Pense um pouco antes de falar bobagem”. (Sejamos positivos, Otto Lara Resende, com adaptações).
Após a expressão “Calma, gente”, o autor emprega o sinal de pontuação denominado: