Magna Concursos
950059 Ano: 2016
Disciplina: Português
Banca: FAU-UNICENTRO
Orgão: Pref. Farol-PR
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Sou visto, logo existo.
Quando Orwell escreveu “1984”, ainda tínhamos quem olhasse por nós. A guerra fria disputava cada centímetro da Terra para sua visão de mundo, éramos como filhos de pais separados que discutem quem manda mais. Ele previu a continuação do totalitarismo sob a forma tecnológica do olho que tudo vê: o “Grande Irmão”. Antes era Deus, para Orwell era uma televisão.
Hoje estamos sós. Hoje somos muito visados, porém só na condição de consumidores universais. Interessada no bolso e não na alma, a propaganda seduz, mas não julga. Em última instância, ninguém, seja divindade, potência ou multinacional, parece interessar-se pelo destino de cada um. Foi aí que começamos a instalar câmeras que transmitem via Internet imagens toscas de lares e pessoas chatas. Blogs, ou seja, diários on-line, oferecem notícias sem importância e confissões pueris. Reality shows criam situações e lugares que podem ser acompanhados ao vivo pela televisão.
De tanto em tanto, surgem preocupações com a invasão na privacidade de telefones e correspondência, supondo que a intimidade de cada um seria objeto de espionagem, seja comercial, seja política. Por que somos tão ciosos de uma intimidade que temos compulsão de expor, compartilhar e profanar?
Não dispondo de grandes transcendências, cabe aproveitar a temporada sobre a Terra, porque a continuação é incerta. Hoje precisamos ser apreciados individualmente e dentro do prazo de validade. É preciso ser visto para ser lembrado, para existir. (...)
Sem fé nem esperança, restou o cotidiano. É uma pena que estejamos reduzidos a um registro tão infantil, interessados em assuntos tão domésticos. O Big Brother, assim como seus similares, são uma Big Mother, a única a quem importa a higiene, a alimentação e as banalidades de cada um. Nem a visão apocalíptica de Orwell supôs que iniciaríamos um milênio tão desamparados e carentes.
CORSO, Diana
Leia as seguintes afirmações:
I - Estamos todos desamparados e carentes porque a realidade, cada vez mais difícil, nos transformou em seres descrentes.
II - “Pueris” e “ciosos” significam, respectivamente, “infantis” e “zelosos”.
III - O conectivo “porém” exprime ideia de alternância.
IV - Somos seres contraditórios, pois gostamos de expor nossa vida pessoal, mas tememos a invasão de nossa privacidade.
Está correto o que se afirma em:
 

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