N.R.S., de 62 anos de idade, está internado há 20 dias na Enfermaria da Clínica Cirúrgica, no Setor de Oncologia, aguardando procedimento cirúrgico de excisão na supraglote, para retirada de tumor. O paciente passou por tratamento de radioterapia há um ano, tendo bons resultados, mas ocorreu recidiva local, de modo a exigir procedimento cirúrgico delicado e arriscado. N.R.S. foi levado à consulta inicial por insistência da esposa, pois não esperava que a rouquidão que o incomodava, dando a sensação de que havia algo preso na garganta, fosse algo tão sério. Simpático com todos, fez piada com a laringoscopia, imaginando que o que quer que estivesse preso na garganta, poderia ser retirado com a cânula do aparelho, e todos poderiam comemorar. No decorrer dos exames, de vez em quando estampava no rosto uma preocupação discreta, e a espera pelo resultado da biópsia foram dias de expectativa, mas com pensamentos marcadamente otimistas e de bom humor. Um objetivo estava claro: iria parar de fumar, hábito que mantinha desde os 18 anos de idade, consumindo um ou dois cigarros por dia. O diagnóstico de câncer na laringe veio em seguida. Com o apoio da esposa, passou pelos procedimentos radioterápicos, com bons resultados, e é a esposa que o motiva a continuar. Ela conta que o marido sempre foi comunicativo, brincalhão, sociável, gostava de cantar e agora sente que foi calado pela traqueostomia. N.R.S. acompanha toda a entrevista com interesse e com algumas lágrimas. A esposa carinhosamente enxuga o rosto do marido e diz que foi por isso que se casou com ele: por ele ser um homem de bom coração. O casal tem dois filhos casados, que visitam o pai diariamente (um no horário de visita matutino e outro no horário de visita vespertino), e três netos pequenos. Nas visitas, os filhos levam desenhos dos netos feitos especialmente para o vovô que está se tratando no hospital. Pelo telefone, o paciente escuta mensagens de apoio dos amigos e parentes.
Com base nesse caso clínico e nos conhecimentos correlatos, julgue os itens a seguir.
É parte do trabalho do(a) psicólogo(a) monitorar o estado emocional da esposa do paciente, que aparenta estar bem.