Bullying é caso de saúde pública
Bullying não é brincadeira nem gozação. Se adultos têm dificuldades de lidar com críticas e ofensas, imagine crianças e adolescentes, muito mais carentes de aceitação social.
Aquele que diz que bullying sempre existiu e que é um ato inofensivo não entende do que está falando.
A violência psicológica e física é hoje potencializada pelas redes sociais, a ponto de não dar descanso às suas vítimas, de não permitir uma trégua no sofrimento e na perseguição.
Eu sofri bullying na passagem dos anos 70 para 80. Entre várias humilhações, fui agredido em corredor polonês, tive as merendas roubadas e fui ridicularizado na escola com os piores apelidos.
Mas resisti, pois acabava a escola e eu ainda resgatava o amor da família para compensar.
Não havia internet, celular, aplicativos. Eu tomava fôlego antes de retornar ao ambiente desesperador. Podia respirar um pouco, livre daquela vida de impropérios.
Durante a tarde e a noite, ficava off-line aos ataques. A residência funcionava como esconderijo, como ferrolho. Existia um espaço para recuperar a coragem e enfrentar novamente a turma no dia seguinte.
Se eu fosse criança atualmente, não sei se sobreviveria. Porque atualmente o aluno oprimido não tem mais um minuto de proteção e de segurança. Com Facebook, Instagram e WhatsApp, é bombardeado vinte e quatro horas com ameaças e insinuações. Não é apenas excluído das rodinhas presenciais, mas de todos os grupos virtuais. Não há quem se blinde contra tanta crueldade.
Trata-se de uma enxurrada imprevisível de fake news que ultrapassa diques familiares e barricadas terapêuticas.
É como viver num deserto emocional. Não tem como se curar de uma dor que lá vem outra e outra e outra... Não se conta nem com um pouco de paz para desabafar.
O bullying é epidêmico, não é mais um problema educacional, é caso de saúde pública.
(Fabrício Carpinejar. https://blogs.oglobo.globo.com/
fabricio-carpinejar/post/bullying-e-caso-de-saude-publica.html.
Publicado em 10.10.2018. Adaptado)
Considere os trechos do texto.
• ... imagine crianças e adolescentes, muito mais carentes de aceitação social. (1º parágrafo)
• Não há quem se blinde contra tanta crueldade. (8º parágrafo)
Mantendo-se o sentido do texto e a regência estabelecida pela norma-padrão, as expressões destacadas podem ser substituídas, respectivamente, por: