A QUESTÃO REFEREM-SE AO TEXTO.
A ascensão dos podcasts
“Um distúrbio de origem desconhecida na atmosfera criou uma zona de baixa pressão. A previsão é de chuva e ventos fortes”, diz o narrador. É uma notícia de rádio. O repórter se despede. Começa a tocar música. Um pouco depois, ele volta ao ar, dizendo que precisa interromper o programa para dar outra notícia: “O observatório Mount Jennings, em Chicago, relatou explosões na superfície de Marte...”. Volta a música.
Então vem mais um boletim: “Às 8h50 da noite, um objeto enorme, talvez um meteorito, caiu numa fazenda em Grovers Mill, Nova Jersey.” A rádio manda um repórter para a fazenda imediatamente.
E ele entra ao vivo: “Não é um meteorito. É um objeto cilíndrico...”. Seres enormes e cheios de tentáculos estão saindo de lá, o rapaz relata. A polícia se aproxima. E a nave começa a soltar raios. “O que é isso?! O raio atingiu os policiais e eles estão pegando fogo! Está tudo pegando fogo: os celeiros, os carros. Tudo!”
É assim que começa Guerra dos Mundos, o drama radiofônico que Orson Welles produziu em 1938, simulando uma invasão alienígena. A genialidade ali está na cadência dramática.
A repercussão do programa rendeu ao jovem Welles, de 23 anos, um convite de Hollywood. E aos 26 anos ele estrearia como diretor de cinema, com seu Cidadão Kane – talvez o filme mais importante de todos os tempos.
Em 1938, enfim, não havia TV. O rádio era a Netflix, era a internet. Era tudo. Talentos como Welles, então, se especializaram em produzir obras de arte do entretenimento apenas com som, sem o auxílio de imagens.
Essa época parecia relegada ao passado. Mas não. A essência dela está voltando agora, com a explosão dos podcasts. É a primeira vez desde o fim da Era do Rádio que tanta gente, de tantas áreas diferentes, se dedica a produzir conteúdo inovador em forma de áudio puro.
superinteressante. Carta ao Leitor, São Paulo, p. 3, set. 2019. Adaptado.
Em “É a primeira vez desde o fim da Era do Rádio”, o termo sublinhado estabelece, nesse trecho, relação de