Uma colônia chamada Brasil
A transferência de Neymar para a Espanha é assunto cujos efeitos não se limitam ao universo futebolístico.
Dizem respeito a uma certa ideia de Brasil. Venceram o vezo colonizado de reverência às metrópoles europeias e a praga subdesenvolvida de acomodar-se alegremente a uma economia de exportação de matéria-prima. Nem se pode dizer, como ocorreu em outros casos, que venceu o salário oferecido ao jogador. Neymar não ganhará mais do que ganhava. Se há dinheiro a rolar na transação, é mais o de representantes, empresários, agentes (parece que há diferença entre tais figuras), “investidores” e outros atravessadores do negócio da bola, tão presentes, e tão milionários, quanto foram, em outra era, os “empresários”, “agentes” e “investidores” do tráfico de escravos. Os interesses no tráfico prolongaram a escravidão no Brasil como em nenhum outro lugar. Os interesses em torno do futebol prolongam nosso estatuto colonial e subdesenvolvido. Numa quadra da história em que o Brasil imagina (ou imaginava) se estar elevando a outro patamar, o episódio nos puxa de volta à condição vira-lata de dócil e inconsequente subalternidade.
Sobre o texto, analise as afirmativas.
I - Os argumentos do autor sugerem que o Brasil se encontra numa situação de dependência, de nação ainda colonial.
II - A escrita do autor deixa de revelar sua posição frente ao que escreve, são informações, constatações, sem traços de subjetividade.
III - O trecho Os interesses em torno do futebol prolongam nosso estatuto colonial e subdesenvolvido explicita uma certa ideia de Brasil, dita no início do texto.
IV - O assunto é futebol, a transferência do jogador Neymar para um time da Espanha, mas são feitas relações com momento da história do Brasil com o qual guarda semelhanças.
Está correto o que se afirma em