Para Luís Rubira (2005, Tempo da Ciência), a transvaloração é a “tarefa fundamental da obra do pensador alemão” Friedrich Nietzsche (1844-1900). Analise as seguintes assertivas acerca do assunto:
I - No contexto da obra nietzscheana, os valores morais expressariam, em última análise, uma prévia avaliação, fundante de todas as demais avaliações. Encoberta por dois milênios de história, esta avaliação adviria da decadência grega e, desde a Roma Antiga, viria sendo elevada à condição de determinação dos valores, em particular após a ascensão do Cristianismo. Este, na condição de platonismo para o povo, fez-se lastro para o advento do niilismo na Modernidade, fruto do vazio de sentido deixado pela morte de Deus. Somente uma atual transvaloração da prévia transvaloração judaico-cristã poderia superar o ressentido niilismo moderno, tarefa somente possível ao além-do-homem, apto, em seu posicionamento além do bem e do mal, à incondicional afirmação trágico-dionisíaca da vida em seu permanente vir-a-ser, o Amor Fati.
II - À luz da transvaloração proposta por Nietzsche, somente pode ser considerado um valor aquilo que intensifica a vida, devendo quaisquer outros possíveis valores estarem a ele subordinados. A partir deste critério fundamental, elabora-se todo um pensamento político na obra do autor, que distingue uma pequena e uma grande política. Expressa-se na primeira uma mentalidade de rebanho, sintomática do niilismo, transposto para o campo político através da democracia liberal, suas negociatas e política de mercador. Na segunda, se expressaria, diferentemente, um radicalismo de base aristocrática e agonística, condição para o surgimento de uma nova moral, na qual ocupa lugar central, antes que a compaixão, a justiça trágica, constituída por autodomínio, autoconstrução, hierarquização e competição entre inimigos respeitáveis.
III - Para Nietzsche, uma grande política somente pode se estabelecer sem quaisquer alianças com o sistema degenerado da pequena política, isto é, de uma democracia niveladora e reativa. De modo que, analisadas no contexto da transvaloração de todos os valores e da afirmação da vida, tanto a democracia liberal quanto o igualitarismo são, em suas tendências à massificação, doenças insufladas pelo Cristianismo. Necessária, a criação de novos valores é, no entanto, algo que não está destinado a todos, mas tão somente aos fortes de espírito, capazes de não se tornarem as ovelhas do rebanho, seguidores da farsa democrática e da moral escrava que orienta a rebelião da imprensa, que usa a cultura como um bem monetário.
Sobre essas assertivas, está correto afirmar: