O asno e o cão
O asno e o cão eram muito queridos por seu dono. Enquanto o primeiro vivia no estábulo com toda a aveia e feno que desejava, o segundo era alimentado pessoalmente pelo fazendeiro e vivia coberto de carícias.
Mas a divisão do trabalho parecia injusta para o asno. Ele era obrigado a andar de cima para baixo o dia inteiro, transportando cargas e girando a moenda de trigo, enquanto seu companheiro nada mais fazia que passear e dormir sempre que tinha vontade.
“Procuro fazer tudo para agradar meu dono e, mesmo assim, ele parece não reconhecer meus esforços. Será que estou fazendo algo errado?”
E o asno decidiu então mudar de comportamento. Certo dia, rompeu seu cabresto e entrou na casa do fazendeiro imitando os pulinhos do cachorro.
Por causa do seu tamanho, começou a quebrar tudo, virando a mesa de jantar e derrubando copos com o movimento de seu corpo.
Com muito esforço, os empregados da fazenda conseguiram conter o asno. Depois lhe deram uma surra para aprender a não fazer mais isso e o trancaram no estábulo mais morto do que vivo.
“Ai de mim”, choramingou, enquanto olhava suas feridas. “Por que eu fui fazer isso? Por que não me contentei com a minha vida digna de trabalhador honrado, e quis imitar as brincadeiras ridículas de um cachorro inútil?”
Moral: Você só será feliz se aceitar quem é.
(COELHO, Paulo. O asno e o cão. 2011. Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br/livrariadafolha/993147- leia-a-fabula-o-asno-e-o-cao-recontada-por-paulo-coelho.shtml>. Acesso em: 2 ago. 2015.)
A história escrita por Paulo Coelho já havia sido narrada, com algumas diferenças, por Esopo. Na versão do texto apresentada por Esopo, encontra-se a seguinte “moral”: “Causas iguais às vezes têm efeitos desiguais. Geralmente, os néscios pensam agradar quando não fazem outra coisa que causar desgosto e enfado”. O foco da crítica presente nessa “moral” é: