Texto
Urbanismo: Um apelo irresistível
por Igor Fuser
Muitos moradores das cidades são tomados, de vez em quando, por uma intensa nostalgia do tempo em que os seres humanos preferiam os hábitats rurais. É a síndrome do eu quero uma casa no campo, título de uma canção da década de 70 que se tornou um clássico da música popular brasileira na voz de Elis Regina (1945-1982). O cotidiano estressante das grandes metrópoles, com a poluição, a insegurança e o trânsito infernal, é de fato um convite para sonhar com carneiros e cabras pastando, como diz a música. Mas a própria Elis nunca tentou tornar realidade seu devaneio bucólico. Nasceu, viveu e morreu na selva de pedra.
Na virada do Terceiro Milênio, mais da metade da população mundial mora em cidades. No Brasil essa proporção atinge 78%. A tendência vem desde que os primeiros agricultores trocaram suas tendas por povoamentos permanentes, há mais de 5000 anos, e se manifesta em todas as culturas. [...]
Por que será que a humanidade, sempre que tem a chance de escolher, prefere o corre-corre urbano ao sossego campestre? A resposta é simples: a cidade propicia aos seus moradores uma existência mais gratificante do que o campo. É lá que os produtores encontram mercados para seus serviços e suas mercadorias. Essas trocas geram riqueza. Os centros urbanos também são o cenário mais favorável para que as pessoas se encontrem. Daí resultam as novas ideias, que fazem o mundo andar para a frente. Foi nas cidades que nasceu a escrita e que se desenvolveram os valores da liberdade e da igualdade.
Com tantas vantagens, é natural que elas também concentrem uma quantidade enorme de problemas. Em todos os países, políticos, técnicos e cientistas estão queimando pestanas em busca de alternativas para os impasses do crescimento urbano desordenado. Ninguém sabe como serão as cidades daqui a 100 anos. Mas, se a História permite fazer alguma previsão, é possível dizer, com certeza, que o movimento em direção às cidades continuará. O homem é, por excelência, um animal urbano.
Disponível em: http://super.abril.com.br/cotidiano/urbanismo-apelo-irresistivel-438373.shtml. Acesso em: 20 jan. 2015.
Em “estão queimando pestanas”, ocorre