INSTRUÇÃO: Leia o texto a seguir para responder às questões de 01 a 06.
A galinha reivindicativa
Em certo dia de data incerta, um galo velho e uma galinha nova encontraram-se no fundo de um quintal e, entre uma bicada e outra, trocaram impressões sobre como o mundo estava mudado. O galo, porém, fez questão de frisar que sempre vivera bem, tivera muitas galinhas em sua vida sentimental e, agora, velho e cansado, esperava calmamente o fim de seus dias.
− Ainda bem que você está satisfeito – disse a galinha – E tem razão de estar, pois é galo. Mas eu, galinha, fêmea da espécie, posso estar satisfeita? Não posso. Todo dia pôr ovos, todo semestre chocar ovos, criar pintos, isso é vida? Mas agora a coisa vai mudar. Pode estar certo de que vou levar uma vida de galo, livre e feliz. Há já seis meses que não choco e há uma semana que não ponho ovo. A patroa se quiser que arranje outra para esses ofícios. Comigo, não, violão.
O velho galo ia ponderar filosoficamente que galo é galo e galinha é galinha e que cada um tem a sua função específica na vida, quando a cozinheira, sorrateiramente, passou a mão no pescoço da doidivanas e saiu com ela esperneando, dizendo bem alto: “A patroa tem razão: galinha que não choca nem põe ovo só serve mesmo é pra panela”.
Moral: um trabalho por jornada mantém a faca afastada.
Fonte: Fernandes, Millôr. Fábulas fabulosas. Rio de Janeiro: Nórdica, 1991, p. 221.
O texto tem como título “A galinha reivindicativa” pelo fato de que a galinha