Magna Concursos
2968829 Ano: 2023
Disciplina: Português
Banca: VUNESP
Orgão: SEDUC-SP
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Leia o texto para responder às questões de números 28 e 29.

À esquerda do vale, e abrigado do norte pela montanha que ali se corta quase a pique, está um maciço de verdura do mais belo viço e variedade. A faia, o freixo, o álamo entrelaçam os ramos amigos; a madressilva, a musqueta penduram de um a outro suas grinaldas e festões: a congossa, os fetos, a malva-rosa do valado vestem e alcatifam o chão. Para mais realçar a beleza do quadro, vê-se por entre um claro das árvores a janela meia aberta de uma habitação antiga mas não dilapidada — com certo ar de conforto grosseiro, e carregada na cor pelo tempo e pelos vendavais do sul a que está exposta. A janela é larga e baixa; parece mais ornada e também mais antiga que o resto do edifício que todavia mal se vê...

Interessou-me aquela janela.

Quem terá o bom gosto e a fortuna de morar ali?

Parei e pus-me a namorar a janela.

Encantava-me, tinha-me ali como num feitiço.

Pareceu-me entrever uma cortina branca... e um vulto

por detrás... Imaginação decerto! Se o vulto fosse feminino!

... era completo o romance.

Como há de ser belo ver pôr o Sol daquela janela! ...

E ouvir cantar os rouxinóis! ...

E ver raiar uma alvorada de Maio!

... Se haverá ali quem a aproveite, a deliciosa janela?

... quem aprecie e saiba gozar todo o prazer tranquilo,

todos os santos gozos de alma que parece que lhe andam

esvoaçando em torno?

Se for homem é poeta; se é mulher está namorada.

São os dois entes mais parecidos da natureza, o poeta e

a mulher namorada: veem, sentem, pensam, falam como a

outra gente não vê, não sente, não pensa nem fala.

(Massaud Moisés. A Literatura Portuguesa Através Dos Textos)

Cada um de nós, professor ou não, precisa elevar o grau da própria autoestima linguística: recusar com veemência os velhos argumentos que visem menosprezar o saber linguístico individual de cada um de nós. Temos de nos impor como falantes competentes de nossa língua materna. Parar de acreditar que “brasileiro não sabe português”, que “português é muito difícil”, que os habitantes da zona rural ou das classes sociais mais baixas “falam tudo errado”. Acionar nosso senso crítico toda vez que nos deparamos com um comando paragramatical e saber filtrar as informações realmente úteis, deixando de lado (e denunciando, de preferência) as afirmações preconceituosas, autoritárias e intolerantes. Da parte do professor em geral, e do professor de língua em particular, essa mudança de atitude deve refletir-se na não aceitação de dogmas, na adoção de nova postura (crítica) em relação a seu próprio objeto de trabalho.

(Marcos Bagno. Preconceito linguístico)

A nova postura (crítica) defendida por Marcos Bagno solidariza-se ao contido

 

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