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2184013 Ano: 2017
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: UECE
Orgão: UECE
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Velhice

Vinícius de Moraes

Virá o dia em que eu hei de ser um velho experiente

Olhando as coisas através de uma filosofia sensata

E lendo os clássicos com a afeição que a minha mocidade não permite.

Nesse dia Deus talvez tenha entrado

definitivamente em meu espírito

Ou talvez tenha saído definitivamente dele.

Então todos os meus atos serão

encaminhados no sentido do túmulo

E todas as ideias autobiográficas da mocidade terão desaparecido:

Ficará talvez somente a ideia do testamento bem escrito.

Serei um velho, não terei mocidade, nem

sexo, nem vida

Só terei uma experiência extraordinária.

Fecharei minha alma a todos e a tudo

Passará por mim muito longe o ruído da

vida e do mundo

Só o ruído do coração doente me avisará de

uns restos de vida em mim.

Nem o cigarro da mocidade restará.

Será um cigarro forte que satisfará os

pulmões viciados E que dará a tudo um ar saturado de velhice.

Não escreverei mais a lápis

E só usarei pergaminhos compridos.

Terei um casaco de alpaca que me fechará os olhos.

Serei um corpo sem mocidade, inútil, vazio

Cheio de irritação para com a vida

Cheio de irritação para comigo mesmo.

O eterno velho que nada é, nada vale, nada vive

O velho cujo único valor é ser o cadáver de

uma mocidade criadora.

MORAES, Vinícius. Velhice. Disponível

em:http://www.viniciusdemoraes.com.br/pt-

br/ poesia/poesias-avulsas/velhice. Acesso: 23/9/17.

Pela leitura atenta do poema Velhice, depreende-se que o autor, ao tratar do tema da velhice, constrói o seu texto com um tom

 

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