De acordo com o humanismo, as experiências ocorrem
dentro de nós e devemos encontrar em nosso interior o sentido de
tudo o que acontece, impregnando desse modo o universo de
significado. Os dataístas acreditam que experiências não têm
valor se não forem compartilhadas e que não precisamos — na
verdade não podemos — encontrar significado em nosso interior.
Só precisamos gravar e conectar nossa experiência ao grande
fluxo de dados, e os algoritmos vão descobrir seu significado e
nos dizer o que fazer.
À pergunta “o que faz os humanos serem superiores aos
outros animais?” o dataísmo apresenta uma resposta inédita e
simples. Em si mesmas, as experiências humanas não são
superiores às dos lobos ou elefantes. Cada bit de dados é tão bom
num caso como no outro. Contudo, um humano pode escrever
um poema sobre sua experiência e postá-lo online, enriquecendo
com isso o sistema global de processamento de dados. Isso
confere valor aos seus bits. Um lobo não é capaz de fazer isso.
Daí que todas as experiências do lobo — por mais profundas e
complexas que possam ser — resultam inúteis. Não é de admirar
que nos ocupemos tanto em converter nossas experiências em
dados. Não é uma questão de tendência ou moda. É uma questão
de sobrevivência. Temos de provar a nós mesmos e ao sistema
que ainda temos valor. E o valor reside não em ter tido
experiências, e sim em fazer delas um fluxo livre de dados.
Yuval Noah Harari. Homo Deus: uma breve história do amanhã. Paulo Geiger (Trad.).
1.ª ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2016, p. 389 (com adaptações)
Em relação às ideias e aos aspectos linguísticos do texto apresentado, julgue o seguinte item.
A oração que compõe o segundo período do segundo parágrafo classifica-se como subordinada adverbial comparativa.