Texto II
asdSara respirava ruidosamente, em parte por causa do esforço físico, mas também por causa da irritação que estava sentindo. Não era porque o telefone estivesse interrompendo aquele primeiro momento de quietude, quando todo movimento cessa. Era mais porque ela queria muito que não fosse Robin, seu agente, pois não só ainda não estava preparada para perdoá-lo, como ficava irritada por antecipação só de pensar que poderia ser ele do outro lado da linha. Quando ela alcançou o telefone, suas pernas tremiam e seu corpo ainda suava. Ao pegar o aparelho, o plástico morno e liso escorregou de sua mão molhada, caiu no chão e quicou contra a ponta do fio espiralado, girando no ar e batendo na cômoda. Quem quer que estivesse do outro lado da linha provavelmente imaginaria que ela tinha atirado o telefone contra a parede, de modo que não havia a menor possibilidade de parecer equilibrada e razoável agora.
(JOSS, Morag. Música fúnebre. Trad. de Sonia Moreira. São Paulo: Companhia das Letras, 2003)
O comportamento de Sara justifica-se sobretudo porque: