Leia atentamente o texto:
Camilo ensinou-lhe as damas e o xadrez e jogavam às noites; — ela mal, — ele, para lhe ser agradável, pouco menos mal. Até aí as coisas. Agora a ação da pessoa, os olhos teimosos de Rita, que procuravam muita vez os dele, que os consultavam antes de o fazer ao marido, as mãos frias, as atitudes insólitas. Um dia, fazendo ele anos, recebeu de Vilela uma rica bengala de presente e de Rita apenas um cartão com um vulgar cumprimento a lápis, e foi então que ele pôde ler no próprio coração, não conseguia arrancar os olhos do bilhetinho. Palavras vulgares; mas há vulgaridades sublimes, ou, pelo menos, deleitosas. A velha caleça de praça, em que pela primeira vez passeaste com a mulher amada, fechadinhos ambos, vale o carro de Apolo. Assim é o homem, assim são as cousas que o cercam.
(ASSIS, Machado de. A cartomante. In: .
Obra completa em quatro volumes: volume 2. 2. ed. Rio de Janeiro: Nova Aguillar, 2008, p. 448.)
No trecho extraído do conto "A cartomante", de Machado de Assis, a personagem Camilo aprecia mais, como presente de aniversário, o simples bilhete de Rita que a cara bengala de Vilela. Essa preferência da personagem, para o narrador, serve para exemplificar uma característica extensiva aos homens em geral, que é a de: