João Fernandes, 24 anos, vive com seus pais adotivos, não tem namorada, teve problemas de adaptação escolar, conseguindo concluir o ensino médio com extrema dificuldade, não apresenta boa aderência ao mundo do trabalho. No relato feito pela mãe adotiva, havia o informe de que João Fernandes havia sido sempre um rapaz quieto, "meio aéreo" e tímido. Nos últimos anos, em função de suas dificuldades pessoais, "acabou recorrendo ao uso de álcool ou maconha". Na abordagem da equipe de saúde mental, embora ficasse clara a necessidade psíquica do uso de tais substâncias por parte de João, ele não apresentou evidência de que tais substâncias lhe causassem dependência física, fato que justificaria, em parte, alguns dos sintomas por ele vivenciados. Ainda segundo o relato de sua mãe, o rapaz já havia sido internado anteriormente, porém sem aderência ao tratamento. Foi levado ao serviço de internação psiquiátrica em função da exacerbação dos sintomas, após a recorrência e persistência por mais de 24 meses das seguintes características:
- comportamento e fala desorganizados
- afeto inadequado
- ilusões bizarras
- preocupação religiosa excessiva
- alucinações auditivas e gustativas
- perda volitiva
- sensação de que pessoas tentavam entrar em seu corpo
- declínio e danos contínuos e significativos no funcionamento social, ocupacional e geral
Esse relato tem como suporte os apontamentos de Spitzer et al. (2008), por isso, é possível identificar que o diagnóstico psiquiátrico primário apresentado por João é