O híbrido tem por finalidade nomear algo ou alguém cuja
formação é múltipla, derivada de fontes heterogêneas. Tal termo
passa a ser empregado nos estudos da cultura a partir dos
deslocamentos e das migrações acentuadas do século XX.
Na literatura, com mais propriedade nos estudos pós-coloniais, é
abordado por Homi Bhabha, que, por sua vez, o trouxe
da concepção de Bakhtin de “hibridismo linguístico”. O híbrido
constitui a identidade do duplo, dinâmica, flexível, plurivocal e
multimodal em contraposição à concepção hierárquica
da identidade pura, única, autêntica, univocal, monolítica e
uniforme que, além de infecunda, é anticomunitária. Como termo
amplamente usado por vários críticos e estudiosos, gera polêmica
e controvérsias, atingindo patamares de significação positiva ou
negativa de acordo com a nuança que lhe seja empregada.
Stelamaris Coser afirma que, ao se reverter “o movimento
do centro para a periferia que caracterizou a era colonial e fez das
colônias ‘o local dos sincretismos e hibridismos’, os grandes
‘centros globais’ são agora internacionalizados e hibridizados
neste novo momento histórico pós-(neo)colonial”.
Nesse caso, não se trata de enaltecer ideologicamente
os encontros culturais, tampouco de anular os conflitos e choques
que resultam das diferenças, mas, acima de tudo, de perceber
o hibridismo que forma a realidade interamericana e a força
criativa que dele resulta. Ainda segundo Coser, “uma inevitável
transformação cultural é resultante da entrada, circulação e
crescente poder dessa multiplicidade de vozes, visões e estilos
que renovam e modificam a face da nação”. Igualmente, para
Stuart Hall, a ocorrência do hibridismo (cultural, linguístico e
literário) permite que o “novo” entre no mundo inscrito pelas
forças hegemônicas e as modifique, passando a ser uma condição
necessária à modernidade das comunidades construídas entre
os impasses de perdas e ganhos sócio-históricos.
Leoné Astride Barzotto.
Deslocamento e memória em “La mano em la tierra”, de Josefina Plá.
In: Elena Palmero González e Stelamaris Coser (orgs.).
Entre traços e rasuras: intervenções da memória na escrita das Américas.
Rio de Janeiro: 7Letras; FAPERJ, 2013, p. 52 (com adaptações).
Em relação às ideias e propriedades linguísticas do texto precedente, julgue o item seguinte.
No texto, que se classifica, quanto ao gênero, como acadêmico, a autora defende o estilo híbrido por ser ele capaz de gerar encontros entre culturas, não havendo que se falar em pontos negativos trazidos por esses contatos.
Provas
Questão presente nas seguintes provas
Analista Administrativo - Comunicação
100 Questões
Analista Administrativo - Contratos
100 Questões
Analista Administrativo - Patrimônio
100 Questões
Arquivista
100 Questões
Comprador
100 Questões
Secretário Administrativo - Diretoria
100 Questões