Durante muito tempo, fazer ciência significou poder quantificar os dados da realidade, garantir a generalidade e a objetividade do conhecimento. No afã da universalidade do saber científico, do cognoscível como representação do real, excluía-se o sujeito do conhecimento, sua subjetividade, seus condicionamentos histórico-sociais. Na base desta perspectiva está a crença de que o mundo está aí, pronto para ser apreendido por uma consciência cognoscente. O cientificismo não leva em conta que tanto o processo de percepção como o do pensamento têm seus próprios mecanismos de produção. Hoje, ignorá-los significa negar conquistas relevantes da psicologia contemporânea. Os objetos da percepção e os objetos do pensamento não nos são dados da mesma maneira, nem tampouco se pode pensar na correspondência entre a realidade e sua representação, mesmo porque nem tudo que existe é representável.
(Adaptado de Nilda Teves, Imaginário social, identidade e memória. In: Lúcia Ferreira & Evelyn Orrico (org.), Linguagem, identidade e memória social, 2002, p. 53-54)
Assinale que alteração proposta para estruturas sintáticas do texto preserva sua correção gramatical e coerência argumentativa.