Magna Concursos
1649288 Ano: 2018
Disciplina: Sociologia
Banca: Instituto Acesso
Orgão: SEDUC-AM
Provas:
"Crítica da razão negra, de Achille Mbembe, publicado em 2013, dificilmente será superada no século 21, seja por seu conteúdo, seja por seu caráter ético-político. Divisor de guas na história do pensamento, de agora em diante, toda a reflexão que se leve a sério está colada em uma posição inconciliável com a tradição da opressão que se constitui em nome da lógica da raça por ele analisada. Negar o diálogo com os argumentos de Mbembe, de agora em diante, implica a manutenção da mistificação branca que sustentou o poder e o capital no lugar que conhecemos. Crítica da razão negra puxa o fio da linha podre que sustentava a trama racista na história europeia, da qual nós, brasileiros, bem como todos os habitantes das Américas, somos herdeiros, ora como algozes, ora como vítimas. A história do racismo é a história do capitalismo, uma história de submissão dos corpos, de uso e abuso dos seres nele capturados, por meio de operações eminentemente teóricas e discursivas, com efeitos perversos na prática. Ao procedimento de definir alguém como um outro chamamos de marcação. Ao definir esse outro como um negativo, a marcação é o verdadeiro mal radical enquanto aniquilação da humanidade do outro. Marcos são os sujeitos da diferença, tratados constantemente como objetos, coisas, mercadorias. Assim é com aqueles que são marcados como Negros, reféns da lógica perversa da raça, criada para a manutenção de crenças e preconceitos que serve a uns em detrimento de outros. Pessoas e grupos marcados como Negros, assim como mulheres, índios e outras minorias políticas, atuam hoje por meio de uma "contramarcação" na intenção de confrontar o poder sustentado na lógica de aviltamento da qual a lógica da raça é um dos elementos mais importantes. Em nome desse dispositivo capitalista foram perpetrados crimes, catástrofes e carnificinas: a escravatura, a colonização e o apartheid são suas provas históricas."
(TIBURI, Marcia. Revista Cult, 223, maio de 2017.)
De acordo com a autora, avalie as afirmações a seguir.
I. Achille Nbembe problematiza o universo cognitivo ocidental pautado na noção de branquitude, subjacente à crítica do autor por via do conceito de raça.
II. Há, segundo o ponto de vista do autor, destacado pela autora, uma relação primordial de historicidade entre racismo e capitalismo.
III. Marcação e contramarcação são formas discursivas em disputa e diálogo nas relações de poder contemporâneas, sendo que a contramarcação consiste em atuação política e étnica-identitária de grupos considerados subalternos pelos discursos de marcação.
É correto o que se afirma em:
 

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Professor - Sociologia

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