Leia o texto para responder às questões de números 02 a 04.
A sorrir, eu pretendo levar a vida
“Mãe, quando a gente vai poder ir no dentista?”, perguntava sempre no início do mês. “É caro, meu filho, e não sobra dinheiro para pagar a consulta. Eu também sonhava muito em ir um dia e fui poucas vezes na vida, menos do que gostaria. Mas uma hora te levo”, Dona Lucia dizia pra mim quando pequeno. Pudera: o dinheiro que pagaria meu tempo deitado na maca do consultório poderia ser investido na compra da carne moída, macarrão, pão ou o aluguel da casa. Prioridades, né? Mas ainda sim me agarrava às poucas esperanças.
Minha vontade de ir ver como estavam os dentes ia além da moda. Era questão de autoestima, sabe? No espelho, percebia que quando sorria, uma parte da arcada era projetada para frente, e com isso me sentia feio. Questionava-me no despontar da adolescência se seria o “patinho” da história. O preconceito contra minha pele já me impedia de chegar em alguns lugares. Imagina só se tivesse mais um problema, e este fosse na boca. Ficaria com ela fechada?
(Edu Carvalho, “A sorrir, eu pretendo levar a vida”. https://epoca.globo.com, 05.12.2020. Adaptado)
No texto, a negativa da mãe em atender ao pedido do filho está relacionada