O teatro já nasceu musicado. O canto e a dança tiveram presença marcante nas manifestações artísticas da Antiguidade. Havia música não só nas tragédias, mas também nos dramas, nas sátiras e nas comédias.
Na história mais recente, a relação do teatro com a música atingiu o seu mais alto grau a partir do surgimento da ópera, na Itália do século XVI. Porém os cantos e as melodias acompanharam o teatro popular, durante todo o seu percurso, por toda a Europa, até que apontasse, triunfante, em terras do além-mar.
Mais do que em qualquer outro lugar do mundo, o teatro musical floresceu no Brasil de uma forma ímpar. A opereta e o teatro de revista se instalaram no Brasil na segunda metade do século passado e, de lá pra cá, o casamento do teatro com a música sempre deu certo. Antes da era do rádio, iniciada em 1922, o teatro de revista foi o grande responsável pela divulgação dos êxitos da música popular brasileira. E, durante muito tempo, a ideia do teatro musicado brasileiro esteve associada a balangandãs, plumas e lantejoulas e, mais particularmente, à imagem do teatro de revista. Esquecemo-nos de que esse teatro teve um significado histórico e político, e o reduzimos a fantasias brilhantes e coloridas.
A partir dos anos 1960, registrou-se uma crise do teatro de revista, o qual parecia remeter a um passado politicamente ingênuo e distante das plateias ávidas em debater e combater as injustiças sociais.
Ainda assim, o gênero teatro musical não abandonou nossos palcos. Apenas mudou de cara. Espetáculos como Arena Conta Zumbi, Arena Conta Tiradentes, Roda Viva e tantos outros, como o mais recente Gota D’água, passaram para a história do musical brasileiro.
Neyde de Veneziano. Teatro da juventude. São
Paulo: Ano 1, n.º 5, 1996 (com adaptações)
Considerando o texto acima e o que ele suscita, julgue o item a seguir.
De acordo com o texto, entre as produções musicais do teatro brasileiro, destacam-se as obras Arena Conta Zumbi e Gota D’água, ambas de autoria de Gianfrancesco Guarnieri, em parceria, respectivamente, com Augusto Boal e Chico Buarque de Holanda.