Leia o texto para responder a questão.
O chato
Outro dia conversava com uma senhora que me falava sobre seu filho de 25 anos. Ela me disse que o filho adora ler. Que lê poesia desde menino. Que conhece a obra e a biografia de grande parte dos escritores gaúchos. Que não errou uma única questão na prova de literatura, quando fez vestibular. Que não consegue pegar no sono sem antes ler ao menos algumas linhas. E aí ela me alertou: “Mas não é chato!”.
E continuou justificando: disse que o filho adorava sair à noite, escutava rock, viajava bastante e tinha a cabeça super boa. Não era chato. Tive que rir. Por que ele seria?
A gente se apega aos estereótipos e não repara no quanto eles podem ser equivocados. Coloque um livro na mão de um rapaz e logo o imaginamos dentro de uma camisa trancafiada até o último botão, óculos fundo de garrafa e o ombro meio curvado. Provavelmente é antissocial, só escuta música barroca e vive citando Platão. Não parece mesmo muito divertido.
Quem é viciado em leitura também pode gostar muito de fazer musculação, ouvir U2, viajar, saltar de paraquedas, trabalhar com fotografia, todas essas coisas empolgantes que parece que só os não chatos têm acesso.
O pecado do chato é a oratória. Ele fala muito. Fala sobre assuntos que não nos interessam em nada. Ou até nos interessam, mas não naquela hora. O chato não tem timing*.
Uma pessoa pode adorar culinária e ser extremamente agradável ao falar dos pratos exóticos que experimentou em Cingapura, mas vai ser um chato se ficar dissertando sobre as propriedades malignas de um hambúrguer. E uma pessoa pode detestar ler e ainda assim ser extremamente agradável dançando, conversando sobre informática, contando suas experiências com a yoga.
Livro nos dá conhecimento, uma visão mais aberta da vida e nos ensina a escrever melhor. Não nos torna chatos nem nos salva de sê-los.
(Martha Medeiros. Montanha russa: crônicas – Porto Alegre, RS: L&PM, 2016. Excerto adaptado)
*Timing: habilidade para fazer certas coisas, para adotar determinadas medidas, no momento mais adequado ou oportuno.
Para responder a questão, considere a passagem do penúltimo parágrafo:
Uma pessoa pode adorar culinária e ser extremamente agradável ao falar dos pratos exóticos que experimentou em Cingapura, mas vai ser um chato se ficar dissertando sobre as propriedades malignas de um hambúrguer.
Os termos extremamente, exóticos e propriedades, destacados na passagem, têm como sinônimos adequados ao contexto, respectivamente: