TEXTO 1
A RELAÇÃO FALA E ESCRITA
(1) Assim como a fala não apresenta propriedades intrínsecas negativas, também a escrita não tem propriedades intrínsecas privilegiadas. São modos de representação cognitiva e social que se revelam em práticas específicas.
(2) Postular algum tipo de supremacia ou superioridade de alguma das duas modalidades seria uma visão equivocada, pois não se pode afirmar que a fala é superior à escrita ou vice-versa. Em primeiro lugar, deve-se considerar o aspecto que se está comparando e, em segundo, deve-se considerar que esta relação não é homogênea nem constante.
(3) Do ponto de vista cronológico, a fala tem grande procedência sobre a escrita, mas do ponto de vista do prestígio social, a escrita é vista como mais prestigiosa que a fala. Não se trata, porém, de algum critério intrínseco nem de parâmetros linguísticos e, sim, de postura ideológica. Por outro lado, há culturas em que a fala é mais prestigiosa que a escrita.
(4) Mesmo considerando a enorme e inegável importância que a escrita tem nos povos e civilizações “letradas”, continuamos povos orais. A oralidade jamais desaparecerá e sempre será, ao lado da escrita, o grande meio de expressão e de atividade comunicativa. A oralidade enquanto prática social é inerente ao ser humano e não será substituída por nenhuma tecnologia. Ela será sempre a porta da nossa iniciação à racionalidade e um fator de identidade social, regional, grupal dos indivíduos.
(Luís Antônio Marcuschi. Da fala para a escrita. São Paulo: Cortez Editora, 2001, p. 35-36.)
TEXTO 2
AS LÍNGUAS MUDAM
(1) As línguas não são realidades estáticas. Elas mudam com o passar do tempo; alteram-se continuamente. Os falantes não têm consciência dessa mudança. A imagem que eles têm do idioma é que ele é estável. São várias as razões por que não se percebe a constante alteração das línguas.
(2) A primeira é que essa mudança é bastante lenta. Tudo pode mudar na língua: os sons, a gramática, o vocabulário. No entanto, alguns níveis da linguagem se modificam mais devagar do que outros: por exemplo, o nível fônico, o nível dos sons de que se vale a língua para construir as palavras, ou o nível da gramática, têm uma mutação mais vagarosa do que a do vocabulário.
(3) Por outro lado, as mudanças atingem parte da língua e não sua totalidade: não se transformam todos os sons de uma só vez, não se altera toda a gramática conjuntamente, não se modifica todo o léxico na mesma ocasião. Isso significa que uma língua é um complexo jogo de mudanças e permanências. Ela está sempre num equilíbrio estável.
(4) Além disso, a escrita, que é uma realidade mais estável e permanente do que a língua falada, leva ao desenvolvimento de um padrão-modelo que é ensinado na escola, e descrito nas gramáticas. Esse padrão goza de um valor social mais elevado e, por isso, adquire uma estabilidade maior, refreando a mutação e servindo de referência para a imagem que o falante tem da língua.
(Massaud Moisés. A literatura portuguesa através dos textos. São Paulo: Cultrix)
Os Textos 1 e 2 dialogam quanto ao tema abordado, pois em ambos os textos:
1) o tema desenvolvido se insere no domínio social da divulgação científica.
2) se alude a certos equívocos ou conclusões simplistas acerca de questões linguísticas.
3) a escrita, sob critérios não intrínsecos, é vista em condição de privilégio em relação à oralidade.
4) se reconhece a estrita estabilidade do fenômeno da linguagem escrita ou oral.
5) se identifica a escrita como a modalidade da linguagem que varia mais em passo acelerado.
Estão corretas apenas:
Provas
Questão presente nas seguintes provas