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2478780 Ano: 2014
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: IRB
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Entre os anos 70 e começos da década seguinte, vigorou o que se chamava amável e ironicamente a poesia do desbunde. Dela pode-se dizer que reaclimatou, em tom menor, o ideário modernista. Então revalorizados, o coloquial e o poema-piada deixavam de simplesmente se opor à linguagem empertigada contra a qual os modernistas haviam lutado. Punham-se agora a serviço da territorialidade privada. Enquanto, no primeiro modernismo, aqueles eram meios para a redescoberta procurada do país, agora se tornavam instrumentos domésticos. O país estava ocupado. O regime militar, em seu apogeu, assegurava o milagre das bolsas e o sigilo das torturas. Tratava-se para os jovens literati de salvar a casa; se não toda, o quarto de fundos. Claro que não pensavam assim. Quando faziam declarações, apresentavam como seus inimigos os poetas experimentais e a poesia de João Cabral. Os concretos e Cabral seriam, para eles, os homólogos contemporâneos de Coelho Neto e Olavo Bilac.

Tendo por centro a experiência privada, a poesia do desbunde mantinha a glorificação do eu: estimava-o como jovem e o estimulava a assim se manter. Regra básica: alertar contra todos os modos de engajamento na seriedade. O trabalho, doença da sociedade burguesa, era um infame criador de corpos flácidos e mentes amorfas.

Luiz Costa Lima. Abstração e visualidade. In: Intervenções. São Paulo: EDUSP, 2002, p. 135 (com adaptações).

Em relação ao texto acima, julgue (C ou E) o próximo item.

De acordo com o autor, os poetas do desbunde consideravam que os poetas experimentais e João Cabral de Melo Neto compunham uma nova vertente de reação ao Modernismo, liderada por escritores como Coelho Neto e Olavo Bilac.

 

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