Magna Concursos
891259 Ano: 2014
Disciplina: Português
Banca: CONPASS
Orgão: Pref. Betânia-PE
Conto de mistério

Com a gola do paletó levantada e a aba do chapéuabaixada, caminhando pelos cantos escuros, era impossível aqualquer pessoa que cruzasse com ele ver seu rosto. No localcombinado, parou e fez o sinal que tinham já estipulado àguisa de senha. Parou debaixo do poste, acendeu um cigarro esoltou a fumaça em três baforadas compassadas.Imediatamente, um sujeito mal-encarado, que se encontravano café em frente, ajeitou a gravata e cuspiu de banda.

Era aquele. Atravessou cautelosamente a rua, entrouno café e pediu um guaraná. O outro sorriu e se aproximou:

- Siga-me! - Foi a ordem dada com voz cava. Deuapenas um gole no guaraná e saiu. O outro entrou num becoúmido e mal-iluminado, e ele - a uma distância de uns dez adoze passos - entrou também.

Ali parecia não haver ninguém. O silêncio erasepulcral. Mas o homem que ia na frente olhou em volta,certificou-se de que não havia ninguém de tocaia e bateunuma janela. Logo uma dobradiça gemeu e a porta abriu-sediscretamente.

Entraram os dois e deram numa sala pequena eenfumaçada onde, no centro, via-se uma mesa cheia depequenos pacotes. Por trás dela um sujeito de barba crescida,roupas humildes e ar de agricultor parecia ter medo do que iafazer. Não hesitou - porém - quando o homem que entrara nafrente apontou para o que entrara em seguida e disse: "É este".

O que estava por trás da mesa pegou um dos pacotese entregou ao que falara. Este passou o pacote para o outro eperguntou se trouxera o dinheiro. Um aceno de cabeça foi aresposta. Enfiou a mão no bolso, tirou um bolo de notas eentregou ao parceiro. Depois virou-se para sair. O que entraracom ele disse que ficaria ali.

Saiu então sozinho, caminhando rente às paredes dobeco. Quando alcançou uma rua mais clara, assoviou para umtáxi que passava e mandou tocar a toda pressa paradeterminado endereço. O motorista obedeceu e, meia horadepois, entrava em casa a berrar para a mulher:

- Julieta! Ó Julieta... consegui.

A mulher veio lá de dentro enxugando as mãos emum avental, a sorrir de felicidade. O marido colocou o pacotesobre a mesa, num ar triunfal. Ela abriu o pacote e verificouque o marido conseguira mesmo. Ali estava: um quilo defeijão.

Stanislaw Ponte Preta, Primo Altamirando e elas. 5. ed.Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1975. pp. 197-199.
No trecho “Este passou o pacote para o outro e perguntou se trouxera o dinheiro", identificamos:
 

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