A pesquisa em psicologia e saúde é fundamental para o desenvolvimento de marcos teóricos autóctones, que falem do contexto brasileiro, sem deixar de dialogar com concepções estrangeiras. Pensando nessa questão, Mary Jane Spink (2003), examinando as bases existentes para o desenvolvimento de um marco teórico adequado à Psicologia da Saúde, constatou os seguintes problemas:
I. predomínio do modelo psicodinâmico no ensino da Psicologia no nível da graduação, com ênfase nas aplicações clínicas na área da saúde mental e total ausência das temáticas relacionadas à Saúde Pública;
II. que a Psicologia não ocupou nem ocupa lugar de relevo entre as profissões de saúde que apoiam a prática médica – seja pelo número de profissionais aí engajados ou pela especificidade de sua contribuição;
III. predomínio dos enfoques em que o indivíduo é tratado como ser abstrato e a-histórico, desvinculado de seu contexto social. É pouco frequente na formação em psicologia a introdução de temas macrossociais que possibilitem uma discussão das determinações econômico-sociais dos fenômenos psicológicos;
IV. a incorporação do social na formação em Psicologia dá-se de forma ampliada atendendo-se muitas vezes a categorias como classe social que permitem a manipulação estatística das variáveis, contribuindo para a compreensão do social como processo;
V. hegemonia do modelo médico na definição do objeto de investigação e a ausência de paradigmas verdadeiramente psicológicos para o estudo do processo saúde-doença. Ao adotar essa perspectiva, o comportamento do paciente passa a ser avaliado, antes de mais nada, em função de sua adequação ao saber médico oficial. Se o paciente não segue o tratamento proposto, seu comportamento será definido como rebelde, ou pior, como ignorante.
De acordo com Spink, dos itens, estão corretos apenas