No livro Os Anjos Bons da Nossa Natureza, Steven Pinker mostra que o mundo está se tornando um lugar cada vez mais seguro para viver, e a raça humana se mostra cada vez menos violenta. Pinker tem noção de que a tese encerra algo de polêmico e por isso dedica boa parte do livro a demonstrar com sofisticadas análises e estatísticas como as taxas de violência estão caindo. Considerando os números absolutos, o século 20, com duas guerras mundiais e um punhado de genocídios, se torna imbatível – 180 milhões de mortes em conflitos e massacres. Essa cifra corresponde a mais ou menos 3% do total de óbitos registrados ao longo do século. Mas evidências arqueológicas recolhidas de dezenas de sítios que datam de 14000 a. C. a 1770 d. C. revelam que as taxas de mortalidade em conflitos podiam chegar a inacreditáveis 60%. A mortalidade média era, portanto, de 15 %.
O grande mérito do livro, porém, não está na numeralha, mas nas análises de Pinker, que identifica um processo pacificador, uma tendência histórica que contribuiu para reduzir a violência.
(Folha de S. Paulo.07.04.2013. Adaptado)
No último parágrafo do texto, na expressão “numeralha”, observa-se