Magna Concursos
3198318 Ano: 2023
Disciplina: Português
Banca: UFRJ
Orgão: Câm. Paracambi-RJ

TEXTO 1

O texto a seguir é uma adaptação editada do original “A DÉCADA DA VIRADA: A Mata Atlântica pode ser um exemplo de sucesso de restauração em grande escala para o Brasil”; de Luís Fernando Guedes Pinto e Matheus Couto*. O artigo foi publicado em 16 de janeiro de 2023, em https://www.sosma.org.br/artigos/a-decada-davirada/

A Organização das Nações Unidas declarou o período de 2021 a 2030 como a Década da Restauração de Ecossistemas no mundo. Isso significa que uma das prioridades nesse período será prevenir, interromper e reverter a degradação de ecossistemas nos continentes e oceanos de todo o globo. O objetivo é contribuir para solucionar os grandes desafios que a humanidade tem pela frente – como a redução da pobreza, o combate às mudanças climáticas e a prevenção da extinção em massa de espécies.

Tal urgência foi declarada em função do alto nível de degradação dos ecossistemas, que sustentam a vida, a economia e a prosperidade do planeta. Alguns já foram severamente destruídos, enquanto muitos outros estão próximos do colapso, comprometendo a disponibilidade de água, a permanência de espécies animais e vegetais, a produção de alimentos e a mitigação e adaptação para as mudanças climáticas.

A década da restauração pretende ser um esforço coletivo, liderado por duas agências da ONU: o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO). Frente aos enormes obstáculos no caminho de seus objetivos e à necessidade de combinar o pensar global com o agir local, a década convida governos, empresas, ONGs e entidades de pesquisa a contribuir para essa agenda e a assumir responsabilidades para alcançarmos as ambiciosas e necessárias transformações.

A Fundação SOS Mata Atlântica tem a honra e o compromisso de contribuir para a Década da Restauração de Ecossistemas no Brasil, com foco particular no bioma Mata Atlântica e seus tão diversos e ricos quanto ameaçados ecossistemas – florestas, restingas, mangues, savanas, dunas e campos. As histórias do bioma e do País se confundem. Foi uma árvore das suas matas – o pau-brasil – que nos batizou, assim como os diversos ciclos econômicos predatórios, que quase a eliminaram, foram responsáveis por sustentar o crescimento nacional durante séculos.

No bioma da Mata Atlântica, hoje, moram mais de 70% dos brasileiros e brasileiras, que dependem dos seus serviços ecossistêmicos para a oferta de água, energia elétrica e alimentos. Nele também está parte importante das espécies de animais e plantas ameaçadas de extinção no Brasil, além de uma agricultura que alimentou a população brasileira e gerou excedentes para exportação por mais de 500 anos. Em 2017, foi responsável por mais de 50% da produção de alimentos e por uma grande parcela das commodities agrícolas exportadas. É o bioma das cidades, da comida e da biodiversidade.

Embora tenhamos uma pujante regeneração da Mata Atlântica, seguimos desmatando nossas florestas mais preservadas – onde está o maior estoque de carbono e vive a maioria das espécies ameaçadas – e derrubando um terço das matas jovens em regeneração.

Em resumo, o bioma segue na UTI, e o seu futuro está comprometido. Diversas pesquisas apontam a Mata Atlântica como uma das áreas prioritárias para a restauração no planeta, considerando seu potencial para o combate às mudanças climáticas e para a conservação da biodiversidade e da água. Apesar de termos passado por tempos sombrios em nosso país, temos a convicção de que a Mata Atlântica pode ser um exemplo de sucesso de restauração em grande escala para o Brasil e para o mundo.

Isso porque ela é urgente e necessária para o bemestar da maior parte da nossa população e para a garantia da nossa economia. Além disso, temos domínio da ciência e das tecnologias de restauração, com grandes avanços nos últimos anos. E, em terceiro lugar, já temos um conjunto de políticas públicas robustas para conduzir a restauração e acabar com o desmatamento – com destaque para a Lei da Mata Atlântica e o Código Florestal, que precisam ser definitivamente implementados.

* Os autores são, respectivamente, engenheiro agrônomo, doutor em fitotecnia, diretor-executivo da Fundação SOS Mata Atlântica; e engenheiro florestal, mestre em ciência florestal pela Universidade Yale, oficial de programa do Centro de Monitoramento da Conservação Mundial do PNUMA.

Quanto ao gênero e à tipologia, podemos caracterizar o TEXTO 1 como:

 

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