Magna Concursos
777720 Ano: 2019
Disciplina: Português
Banca: FUNDEP
Orgão: Pref. Mariana-MG
TEXTO I
Muitas fugiam ao me ver…
Muitas fugiam ao me ver
Pensando que eu não percebia
Outras pediam pra ler
Os versos que eu escrevia
Era papel que eu catava
Para custear o meu viver
E no lixo eu encontrava livros para ler
Quantas coisas eu quiz fazer
Fui tolhida pelo preconceito
Se eu extinguir quero renascer
Num país que predomina o preto
Adeus! Adeus, eu vou morrer!
E deixo esses versos ao meu país
Se é que temos o direito de renascer
Quero um lugar, onde o preto é feliz.
JESUS, C. M. de. Antologia pessoal. Org. José Carlos Sebe
Bom Meihy. Rio de Janeiro: Editora UFRJ, 1996.
Leia o seguinte texto da pesquisadora Margarete Aparecida de Oliveira sobre a escrita de Carolina Maria de Jesus.
“Carolina Maria de Jesus faz parte de um grupo de escritores cujas narrativas foram produzidas por vozes advindas de esferas subalternas. [...] Sua expressão literária do cotidiano é direta, na qual se organiza uma forte representação da prática social urbana, vista por aqueles que foram deixados à margem. A favela foi apresentada por Carolina como um local penoso, insignificante aos olhos da sociedade: ‘Cheguei ao inferno. Devo incluir-me, porque eu também sou da favela. Sou rebotalho. Estou no quarto de despejo, e o que está no quarto de despejo ou queima-se ou joga-se no lixo.’ (JESUS, 2012, p. 38). Neste espaço, Carolina sobrevive de restos da cidade, em uma economia limite, ela, seus filhos e seus vizinhos se alimentam das sobras dessa população. O fato de sua escrita estar vinculada à sua própria experiência no espaço periférico torna esse processo, uma estratégia de ação que rompe a compreensão da literatura já estabelecida pela crítica. Dessa forma, o texto caroliniano apresentou um ambiente urbano pouco conhecido até então nas décadas de 50-60, a favela. Escrito por quem vivenciou a miséria e testemunhou a violência diária e é capaz de transformá-la em objeto de uma narrativa sob uma nova perspectiva.”
Disponível em: <encurtador.com.br/lnLNQ>.
Acesso em: 18 out. 2019.
Considere os seguintes trechos de obras de Carolina Maria de Jesus.
I. “Era papel que eu catava / Para custear o meu viver.”
II. “Um dia, ouvi de minha mãe que meu pai era de Araxá, e seu nome era João Cândido Veloso. E o nome da minha avó era Joana Veloso. Que meu pai tocava violão e não gostava de trabalhar [...].” (JESUS, 2007, p. 7).
III. “27 DE MAIO – Percebi que no Frigorífico jogam creolina no lixo, para o favelado não catar a carne para comer. Não tomei café, ia andando meio tonta. A tontura da fome é pior do que a do álcool. A tontura do álcool nos impele a cantar. Mas a da fome nos faz tremer. Percebi que é horrível ter só ar dentro do estomago.” (JESUS, 2012, p. 45)
IV. “13 DE MAIO – Hoje amanheceu chovendo. É um dia simpático para mim. É o dia da Abolição.” (JESUS, 2012, p. 31)
A partir das considerações da pesquisadora, os trechos que retratam a escrita crítica e denunciante de Carolina Maria de Jesus são
 

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