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3700820 Ano: 2025
Disciplina: Português
Banca: Ibest
Orgão: CRMV-ES
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Texto para a questão.

Seria uma pena deixar sem resposta uma carta tão notável quanto a sua — uma carta talvez única na

história da correspondência humana, pois, quando teria, antes, um homem instruído perguntado a uma

mulher como, em sua opinião, se poderia evitar a guerra? Façamos, pois, a tentativa, ainda que esteja

condenada ao fracasso.

Façamos, em primeiro lugar, aquilo que todas as cartas instintivamente fazem, um esboço da pessoa a

quem a carta é endereçada. Sem alguém cálido e respirando do outro lado da página, as cartas são inúteis. O

senhor, pois, que faz a pergunta, é um pouco grisalho nas têmporas. Atingiu a meia-idade exercendo, não sem

algum esforço, a advocacia; mas, em geral, sua jornada tem sido próspera. Não há nada de empedernido,

mesquinho ou desgostoso em sua expressão. E sem querer lisonjeá-lo, sua prosperidade — esposa, filhos, casa

— é merecida. Quanto ao mais, iniciou sua educação em um dos grandes internatos privados, concluindo-a na

universidade.

É aqui que surge a primeira dificuldade de comunicação entre nós. Indiquemos rapidamente a razão.

Nós dois viemos do grupo que, nesta época de transição, na qual, embora a descendência seja mista, as classes

ainda permanecem fixas, é conveniente chamar de classe instruída. Quando nos encontramos pessoalmente,

falamos com o mesmo sotaque e conseguimos manter, sem muita dificuldade, uma conversa sobre as pessoas

e a política, a guerra e a paz, o barbarismo e a civilização — questões todas, na verdade, sugeridas por sua carta.

Além disso, ganhamos ambos a vida com nosso trabalho. Mas… esses três pontos assinalam um precipício, um

abismo tão profundamente cavado entre nós que tenho estado aqui sentada, do meu lado, me perguntando

se adianta alguma coisa tentar fazer minha fala chegar ao outro lado.

Aqui estamos preocupados tão somente com o fato óbvio, quando se trata de considerar a importante

questão de como podemos ajudá-lo a evitar a guerra, de que a educação faz toda a diferença. Algum

conhecimento de política, de relações internacionais, de economia é obviamente necessário para entender as

causas que conduzem à guerra. A filosofia e até mesmo a teologia podem proveitosamente dar sua

contribuição. Ora, a pessoa sem instrução, como o senhor concordará, o homem com uma mente pouco

treinada provavelmente não poderia tratar dessas questões de maneira satisfatória. A guerra, como resultado

de forças impessoais, está, pois, além da compreensão da mente pouco instruída, pouco treinada. Mas a guerra

como resultado da natureza humana é outra coisa. Não acreditasse o senhor que a natureza humana, as razões,

as emoções do homem e da mulher comum conduzem à guerra, não teria escrito pedindo nossa ajuda.

Felizmente há um ramo da educação que se inscreve sob a categoria de “educação sem custo” — aquele

entendimento dos seres humanos e suas motivações que, desde que a palavra seja expurgada de suas

associações científicas, se pode chamar de psicologia. Mas embora muitos instintos sejam tidos, em maior ou

menor grau, como comuns a ambos os sexos, guerrear tem sido, desde sempre, hábito do homem, não da

mulher. A educação e a prática desenvolveram aquilo que pode ser uma diferença psicológica

transformando-a em algo que pode ser uma diferença física — uma diferença de glândulas, de hormônios. Seja

como for, um fato é indiscutível – raramente, no curso da história, um ser humano foi abatido pelo rifle de uma

mulher; os pássaros e os animais foram e são, em sua grande maioria, mortos por vocês, não por nós.

Virginia Woolf. Três guinéus, 1938 (com adaptações).

Acerca da vírgula seguinte ao verbo “fazem” (linha 5), é correto afirmar que
 

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