Magna Concursos
1378437 Ano: 2009
Disciplina: Português
Banca: FUMARC
Orgão: Pref. Governador Valadares-MG
Provas:
A avaliação de sala de aula deveria funcionar como um retrato que mostrasse a situação de aprendizagem do estudante. Os professores brasileiros, em geral, não dispõem de parâmetros técnicos para isso. Já vi tirarem ponto de aluno "bagunceiro". Não se trata de avaliar o comportamento, mas o que foi aprendido. Como resultado dessa distorção, criou-se uma cultura punitiva que envolve a avaliação e um terço das crianças que cursam a 1ª série no Brasil são reprovadas quando, na verdade, deveriam estar sendo ensinadas. O processo de avaliação precisa ser visto como um instrumento pedagógico, não como uma forma de punição. Deve ser usado para fazer um diagnóstico das deficiências de aprendizagem de cada aluno e para detectar o que o professor não conseguiu desenvolver ao longo do ano letivo. Esses dados são úteis na redefinição do rumo das aulas: sabendo exatamente que habilidades e competências não foram alcançadas, as atividades são replanejadas buscando o avanço da turma. Isso significa diversificar materiais e estratégias de ensino - jogos, elaboração de materiais, pesquisas, leitura - e também o modo de avaliar. Para tanto, em primeiro lugar, é necessário que a postura e a mentalidade do professor mudem. Chega de ver a avaliação como um instrumento de retenção. Já passou da hora de enxergá-la como algo formativo. Em segundo lugar, devemos investir em formação para que todos dominem técnicas mais objetivas de avaliação e aprendam a fazer uma boa prova. Existe uma imensidão de atividades pedagógicas que servem para avaliar: leitura, compreensão de texto e trabalho em grupo são apenas alguns exemplos. Mas o mais importante é reconhecer que, ao avaliar um estudante, você, ao mesmo tempo, está avaliando seu trabalho.
(CARLOS HENRIQUE ARAÚJO é sociólogo. Foi diretor de Avaliação de Educação Básica do Instituto
Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira. http://revistaescola.abril.com.br/
planejamento-e-avaliacao/avaliacao/segredo-avaliar-sempre-424739.shtml)
Assinale a afirmação INCORRETA sobre o fragmento destacado:
I. Não se trata de avaliar o comportamento, mas o que foi aprendido. A conjunção “mas” é adversativa; embora introduza oração coordenada (sintaticamente independente), nota-se que há uma dependência semântica entre as orações, o que nos permite dizer que é uma conjunção “retrojetiva” (que aponta para algo previamente explicitado).
II. “Como resultado dessa distorção, criou-se uma cultura punitiva que envolve a avaliação e um terço das crianças que cursam a 1ª série no Brasil são reprovadas...” A palavra “se” é partícula apassivadora, justificando-se a concordância verbal (“criou”) pelo fato de o sujeito ser singular.
III. “... um terço das crianças que cursam a 1a série no Brasil são reprovadas quando, na verdade, deveriam estar sendo ensinadas.” No trecho destacado, o uso da perífrase verbal é incorreta, visto que o gerundismo é sempre uma construção errônea, mesmo quando se pretende indicar aspecto durativo de uma ação.
IV. “O processo de avaliação precisa ser visto como um instrumento pedagógico, não como uma forma de punição.” Nota-se, acima, a presença de recursos linguísticos de produção textual como a comparação e a elipse.
Estão CORRETAS as afirmações:
 

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