A cruz na testa
Os dados do que fui
Do que serei:
Nasci matemático, mago
Nasci poeta.
A cruz na testa
O riso seco
O grito
Descubro-me rei
Lantejoulado de treva
As facas golpeando
Tempo e sensatez
Deus? Uma superfície de gelo ancorada no riso. Isso era Deus. Ainda assim, tentava agarrar-se àquele nada, deslisava geladas cambalhotas até encontrar o cordame grosso da âncora e descia descia em direção àquele riso. Tocou-se. Estava vivo sim. [...]. Amós Kéres, quarenta e oito anos, matemático, parou o carro no topo da pequena colina, abriu a porta e desceu. De onde estava via o edifício da Universidade. Prostíbulos igreja Estado Universidade. Todos se pareciam. Cochichos, confissões, vaidade, discursos, paramentos, obscenidades, confraria. [...]
HILST, Hilda. Com os meus olhos de cão. São Paulo: Globo, 2006.
Com base no texto e nos gêneros literários, é correto afirmar que o fragmento citado apresenta